Gripe suína pode atingir uma em cada três pessoas no mundo

Uma pesquisa realizada pela universidade Imperial College de Londres sugere que um terço da população mundial poderá ser infectado com a gripe suína. Conforme os pesquisadores a gripe suína --cujo nome oficial é gripe A (H1N1)-- tem "potencial total para pandemia", pois se espalha rapidamente entre as pessoas e deve atingir o mundo todo.

"Este vírus realmente tem o potencial total para a pandemia. Deverá se espalhar pelo mundo todo nos próximos seis a nove meses e, quando isso acontecer, vai afetar cerca de um terço da população", disse o professor Neil Ferguson, que liderou a pesquisa, à Rádio 4 da BBC.

O estudo britânico, realizado de forma rápida com dados coletados no México no final de abril passado, não faz estimativa do possível número de mortos por causa da gripe. O estudo foi publicado na revista especializada "Science".

Balanço da OMS (Organização Mundial de Saúde) informa que o número de casos da doença confirmados em laboratório chegou a 5.251 em 30 países, com 61 mortos pela doença.

Diversidade genética

Os pesquisadores britânicos, liderados pelo professor Ferguson --que também faz parte do Comitê de Emergência da OMS--, trabalharam com a colaboração da OMS e agências de saúde pública do México, analisando dados da epidemia naquele país, coletados no final de abril, e levando em conta fatores como contaminação internacional e diversidade genética viral.

Ferguson afirmou que ainda é muito cedo para afirmar se o vírus da influenza A (H1N1) vai causar mortes em larga escala ou se ele será um pouco mais letal que uma epidemia de gripe comum. O professor afirma que uma "grande epidemia" deve ocorrer no hemisfério norte nos meses do outono e do inverno, no final de 2009, quando é época de gripe no hemisfério.

"Para colocar em contexto, a cada ano a gripe normal sazonal provavelmente afeta cerca de 10% da população mundial todo ano, então estamos nos encaminhando para uma época de gripe que talvez seja três vezes pior do que o de costume", afirmou. A pesquisa afirma que a gripe suína pode matar quatro em cada mil pessoas infectadas.

A análise "rápida" da epidemia de gripe suína do México, no final de abril, sugere que o vírus pode ser tão perigoso como o vírus responsável pela pandemia de 1957, que matou 2 milhões de pessoas no mundo todo. Mas não deverá ser tão letal como o vírus da chamada gripe espanhola que, em 1918, causou cerca de 50 milhões de mortes.

Ferguson afirma que o estudo do Imperial College de Londres confirma que são necessárias decisões rápidas a respeito da produção de uma vacina.

"Nós realmente precisamos estar preparados, particularmente para o outono (no hemisfério norte). Por enquanto, o vírus não está se espalhando tão rápido no hemisfério norte, pois estamos fora da época de gripe, mas quando o outono chegar, deverá causar uma grande epidemia."

"Uma das decisões mais importantes precisa ser tomada esta semana pela comunidade internacional e é relativa a quanto vamos destinar da produção de vacinas de gripe sazonal normal para a produção de uma vacina contra este vírus em particular? Acredito que estas decisões devem ser tomadas rapidamente", acrescentou.

Finlândia, Tailândia e Cuba confirmam casos de gripe suína

Balanço da OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgado nesta terça-feira registra 5.251 casos de gripe suína --a gripe A (H1N1)--, em 30 países. Os Estados Unidos são o país com maior número de casos confirmados, 2.600 incluindo três mortes; enquanto o vizinho México possui o maior número de mortes, 56 entre 2.059 casos.

O Canadá, também na América do Norte, tem o terceiro maior número de casos --330, incluindo uma morte. O quarto país a registrar morte --uma-- foi a Costa Rica, com oito casos confirmados da doença.

No Brasil há oito casos da doença, conforme a OMS e o Ministério de Saúde.

Os outros países com casos confirmados --e nenhuma morte-- são Espanha (95), Reino Unido (55), Panamá (16), França (13), Alemanha (12), Itália (9), Israel (7), Nova Zelândia (7), El Salvador (4), Japão (4), Colômbia (3), Coreia do Sul (3), Holanda (3), Noruega (2), Suécia (2), Argentina (1), Austrália (1), Áustria (1), China (2, sendo um em Hong Kong), Dinamarca (1), Guatemala (1), Irlanda (1), Polônia (1), Portugal (1) e Suíça (1).

O balanço não inclui quatro casos confirmados, nas últimas horas, pelos governos da Finlândia, Tailândia e Cuba.

Na Finlândia, de acordo com o ministério de Assuntos Sociais e Saúde, Tapani Melkas, há dois casos confirmados da doença. São dois estudantes que vivem na região metropolitana de Helsinque e que contraíram o vírus em uma recente viagem ao México. Os dois têm sintomas leves e são atendidos em casa, para evitar a propagação do vírus.

Na Tailândia, o caso foi confirmado pelo premiê Abhisit Vejjajiva. Segundo ele, os exames que confirmaram o diagnóstico de gripe suína foram realizados no Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos EUA. Segundo o governo, a pessoa afetada, de nacionalidade tailandesa, passou diversos dias em um hospital, mas já recebeu alta.

Em Cuba, o Ministério de Saúde confirmou a doença em um jovem mexicano que estuda em Havana e que chegou à ilha em 25 de abril passado, com um grupo de mexicanos, dos quais outros 13 apresentaram sintomas leves e estão em bom estado de saúde. Devido à epidemia no México, Cuba suspendeu os voos entre os dois países desde 29 de abril passado.

Segundo o governo cubano, são analisadas no momento "84 pessoas, de oito nacionalidades, com suspeita clínico-epidemiológica".

Sintomas

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).

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