Estaleiros não comportam demanda dos novos projetos

O país necessita de mais estaleiros para atender à demanda da Petrobras por novas sondas e barcos de apoio. A afirmação é do diretor de abastecimento e refino da empresa, Paulo Roberto Costa, ao avaliar nesta terça-feira as condições do mercado de fornecedores no Brasil, que segundo ele, precisa ser expandido.

Para isso, representantes da própria Petrobras estão indo ao exterior buscar possíveis investidores que queiram produzir no Brasil para fornecer à estatal. Os diretores financeiro, Almir Barbassa, e de serviços, Renato Duque, percorreram alguns países da Ásia tentando atrair empresas.

"O atual número de estaleiros do país, por exemplo, não comporta tudo o que está previsto no planejamento estratégico da empresa. Mas há movimentos no país, novos estaleiros estão sendo feitos, e esperamos que não pare por aí", afirmou Costa.

A Petrobras estima que, dos US$ 158,2 bilhões em investimentos previstos para projetos no Brasil nos próximos cinco anos, US$ 100,9 bilhões serão aplicados em produtos nacionais, já que parte dos componentes dos equipamentos não são fabricados no Brasil, sendo adquiridos apenas no exterior.

"Pela nossa vontade, compraríamos tudo aqui. Mas muitos equipamentos não são fabricados aqui", observou Costa.

O diretor vislumbra que essa situação pode melhorar nos próximos anos, com a entrada em operação dos projetos situados na camada pré-sal. Nos próximos 12 anos, a camada pré-sal será responsável por uma adição de 1 milhão de barris/dia de petróleo. Em 18 anos, a produção na camada ultra profunda adicionará 1,8 milhão de barris/dia à produção nacional.

"Queremos trazer mais empresas para o Brasil, produtoras de compressores de grande porte e turbinas, e com o pré-sal, vamos ter escala. Não teremos mais picos e vales, haverá um crescimento contínuo", ressaltou.

Ainda em relação ao pré-sal, Costa garantiu que a Petrobras está "confortável" em desenvolver os projetos com o preço do barril entre US$ 35 e US$ 40. Na próxima sexta-feira, a petrolífera inicia produção em fase de testes no campo de Tupi, na camada pré-sal da bacia de Santos, cujas reservas estimadas variam entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural.

"Isso leva em conta o dado que temos sem os testes, nos quais buscaremos otimizar ainda mais os custos", completou.

Entenda o que é a camada pré-sal

chamada camada pré-sal é uma faixa que se estende ao longo de 800 quilômetros entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, abaixo do leito do mar, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo encontrado nesta área está a profundidades que superam os 7 mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal que, segundo geólogos, conservam a qualidade do petróleo (veja figura abaixo).

Vários campos e poços de petróleo já foram descobertos no pré-sal, entre eles o de Tupi, o principal. Há também os nomeados Guará, Bem-Te-Vi, Carioca, Júpiter e Iara, entre outros.


Um comunicado, em novembro do ano passado, de que Tupi tem reservas gigantes, fez com que os olhos do mundo se voltassem para o Brasil e ampliassem o debate acerca da camada pré-sal. À época do anúncio, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) chegou a dizer que o Brasil tem condições de se tornar exportador de petróleo com esse óleo.

Tupi tem uma reserva estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo considerado uma das maiores descobertas do mundo dos últimos sete anos.

Neste ano, as ações da estatal tiveram forte oscilação depois que a empresa britânica BG Group (parceira do Brasil em Tupi, com 25%) divulgou nota estimando uma capacidade entre 12 bilhões e 30 bilhões de barris de petróleo equivalente em Tupi. A portuguesa Galp (10% do projeto) confirmou o número.

Para termos de comparação, as reservas provadas de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficaram em 13,920 bilhões (barris de óleo equivalente) em 2007, segundo o critério adotado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Ou seja, se a nova estimativa estiver correta, Tupi tem potencial para até dobrar o volume de óleo e gás que poderá ser extraído do subsolo brasileiro.

Estimativas apontam que a camada, no total, pode abrigar algo próximo de 100 bilhões de boe (barris de óleo equivalente) em reservas, o que colocaria o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo.

Mais dúvidas

A Petrobras, uma das empresas pioneiras nesse tipo de perfuração profunda, porém, não sabe exatamente o quanto de óleo e gás pode ser extraído de cada campo e quando isso começaria a trazer lucros ao país.

Ainda no rol de perguntas sem respostas, a Petrobras não descarta que toda a camada pré-sal seja interligada, e suas reservas sejam unitizadas, formando uma reserva gigantesca.

Justamente por conta do desconhecimento sobre o potencial da camada pré-sal o governo decidiu que retomará os leilões de concessões de exploração de petróleo no Brasil apenas nas áreas localizadas em terra e em águas rasas. Afinal, se a camada for única, o Brasil ainda não tem regras de como leiloaria sua exploração.

Assim, toda a região em volta do pré-sal não será leiloada até que sejam definidas as novas regras de exploração de petróleo no país (Lei do Petróleo), que voltaram a ser discutidas pelo Planalto --foi criada uma comissão interministerial para debater modelos em vigor em outros países e o destino dos recursos do óleo extraído.

Além disso, o governo considera criar uma nova estatal para administrar os megacampos, que contrataria outras petrolíferas para a exploração --isso porque os custos de exploração e extração são altíssimos. Os motivos alegados no governo para não entregar a região à exploração da Petrobras são a participação de capital privado na empresa e o risco de a empresa tornar-se poderosa demais.

Opiniões

O diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella, disse que a discussão em torno das mudanças no marco regulatório do petróleo não levará em conta o interesse privado.

"Existem vários interesses públicos e privados envolvidos nessa questão. A Petrobras é uma empresa que tem controle governamental, mas tem acionistas privados, que têm que ser respeitados. Ao mesmo tempo, o aproveitamento dessas riquezas é questão de Estado brasileiro", reconheceu.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito vários discursos em que mencionou que as reservas pertencem ao "povo brasileiro" e devem ser usadas em benefício do país, como para aplicações na educação. Lula chegou a mencionar que as reservas eram uma chance divina e deveria ser usada para reparar uma dívida com os mais pobres.

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