
Militares desembarcam em São José dos Campos para auxiliar operação de buscas a armas roubadas de quartel em Caçapava
Nesta quarta-feira (8), completa um mês que um grupo de assaltantes invadiu dois postos de sentinela do 6º Batalhão de Infantaria Leve do Exército, em Caçapava (116 km de São Paulo), e roubou sete fuzis. Nesta terça-feira, o ministério Público Federal em São José dos Campos enviou um ofício ao Comandante Militar do Sudeste pedindo informações sobre a Operação Ypiranga, que visa recuperar as armas roubadas.
A operação conta com cerca de 700 soldados e acontece em ao menos três cidades: Caçapava, São José dos Campos e Taubaté.
A Promotoria questiona supostos "abusos" na operação, que teriam sido divulgados em veículos de comunicação. De acordo com o órgão, moradores das regiões ocupadas pelo Exército estariam sendo obrigados a obedecer um toque de recolher, sob o risco de sofrer agressões físicas.
"O Ministério Público Federal também pede confirmação da realização de bloqueios, inclusive com uso de barricadas e blitze veicular em vias públicas da cidade, a abordagem indistinta de civis, nas ruas, por militares com revista pessoal, sem cumprimento de mandado judicial específico", afirmou a Promotoria, em nota.
O Ministério Público Federal requereu as informações com urgência e pediu que as respostas sejam entregues até 20 de abril. O órgão questiona ainda quais são as funções dos soldados --que contam com carros blindados e helicópteros na ação-- quando não estão buscando os fuzis.
"Ao realizar atos de patrulhamento ostensivo indiscriminado, como parece ser o caso, o Exército pode estar passando dos limites de sua atuação de polícia judiciária militar, que está definido no código de processo penal militar", afirma a Promotoria.
A Folha Online tentou, sem sucesso, localizar a assessoria do Exército hoje para comentar os questionamentos levantados pela Promotoria. Assim que ele se manifestar, sua versão sobre os fatos será incluída neste texto.
Roubo
No mês passado, cinco homens invadiram dois postos de sentinela do 6º Batalhão de Infantaria Leve do Exército. Eles entraram em confronto com os militares e fugiram levando sete fuzis. Um soldado ficou ferido na ação.
Peças dos fuzis roubados foram localizadas, pela polícia, no dia 15 de março, no município de Guararema (79 km de SP). Segundo a Polícia Militar, o equipamento --quatro cinturões com quatro baionetas (pequenas facas que ficam nas pontas dos fuzis)-- foi localizado, por crianças, em um terreno baldio.
O Exército criou um número de telefone gratuito para receber denúncias sobre o paradeiro das armas: 0800-7712012. O número está sendo divulgado em cartazes, com o título "Denuncie já", que foram distribuídos na região.
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