A repercussão do corte de 1,5 ponto na taxa de juros brasileira

Banco Central anunciou redução da Selic para 11,25% por ano. Mesmo com corte, Brasil ainda possui maior nível mundial de juros reais.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na noite desta quarta-feira (11) uma redução de 1,5 ponto percentual na taxa Selic. É o maior corte de juros desde novembro de 2003.



Com isso, os juros definidos pela autoridade monetária, que servem de referência para o mercado financeiro, recuaram para 11,25% ao ano e retornaram ao patamar registrado entre setembro de 2007 e abril do ano passado - o menor nível da história. A série histórica do BC tem início em 1996.

Mesmo com a decisão desta quarta-feira do Copom, o Brasil ainda segue na liderança no ranking mundial de juros reais, que são calculados após o abatimento da inflação. Com a redução de 1,5 ponto percentual, os juros reais brasileiros caem para 6,5% ao ano, informou a Consultoria UpTrend.

O segundo colocado na lista é a Hungria, com juros reais de 6,2% ao ano, seguida pela Argentina, com taxa de 4,3% ao ano. A média de juros reais em 40 países pesquisados pela consultoria é de 4,14% ao ano.


Veja como o corte de juros repercutiu entre economistas e entidades de classe:


Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

“Os responsáveis pela política econômica serão, também, os responsáveis pelo desemprego no Brasil se, a curto prazo, não acontecerem novos cortes na Selic.

Ao abaixar a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual, reduzindo a Selic para 11,25% ao ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) age com acerto. Agora, é preciso agilizar a queda com reuniões quinzenais do Copom.

Para a Fiesp, considerando-se os níveis atuais de inflação, a taxa Selic deveria estar entre 7% e 8% o ano."

Luiz Marinho, ex-ministro da Previdência e do Trabalho e atual prefeito de São Bernardo (SP)
“Precisamos que o Copom dê sequência ao processo de redução. Cabe espaço para mais redução. Na próxima reunião, precisa baixar mais 1,5 ponto. Espero que (a taxa) entre no segundo semestre em um dígito só. Se fizer isso, é um grande constribuição para enfrentar esse momento de crise.”

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)
“Consideramos tímida a decisão do Copom de reduzir em 1,5 ponto percentual a Selic, pois os dados relativos ao desempenho da economia indicam a necessidade de medidas mais profundas para evitar que a economia brasileira entre em recessão.

Esperávamos que a coragem revelada pelas autoridades monetárias em elevar as taxas de juros quando julgaram necessário, e de mantê-las quando consideraram conveniente, a despeito das pressões de importantes segmentos da sociedade, fosse demonstrada agora com uma redução mais ousada da Selic”.

Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
"A queda da taxa básica de juros era a única decisão aceitável diante da conjuntura. Ainda assim, a CUT reitera que a queda, tardia, deveria ter sido maior que 1,5%.

O Brasil ainda tem chances de registrar crescimento em 2009, e devemos ser ousados para não perder a oportunidade. O crescimento depende muito do fortalecimento do mercado interno, e passa necessariamente pela defesa dos empregos e dos salários.

Portanto, insistimos em queda mais acentuada e na diminuição do intervalo entre as reuniões do Copom, como forma de acelerar o processo de redução da Selic."

Marcela Prada, analista da consultoria Tendências

"O corte veio dentro da expectativa. A avaliação é que a piora expressiva da atividade econômica indicava que é preferível uma redução do juro o mais rapidamente possível. A gente viu uma série de dados muito ruins nos últimos dias, como a do PIB do quarto trimestre, que vieram abaixo da expectativa do mercado.

Tudo isso reforçou a impressão que a gente vai ter um crescimento muito fraco este ano. Esse é um cenário que sugere menor pressão inflacionária. Todo a conjuntura indica espaço para uma queda dos juros no cursto prazo, para tentar provocar uma reação mais rápida da economia."

Orlando Diniz, presidente da Fecomércio-RJ
"O Banco Central acertou ao reduzir a taxa de juros em 1,5 ponto. Esse corte, além de diminuir a propensão à poupança derivada de um consumidor mais cauteloso, representa uma economia superior a R$ 11 bilhões nas despesas com serviço da dívida indexada à Selic.

O alívio às contas públicas permitirá o fomento aos investimentos, fundamental diante da deterioração dos números de emprego e das previsões de crescimento para este ano; principalmente, quando a trajetória ascendente das despesas permanentes do governo torna o país mais vulnerável à crise. É preciso seguir a receita tradicional: gastos eficientes aliados à uma política monetária mais flexível."

Ênio DeBiasi, sócio-diretor da consultoria De Biasi Auditores Independentes
"A autoridade monetária, com o corte de 1,5 ponto percentual na Selic, mostrou sensibilidade, pois o ritmo de demissões continua elevado e estamos perto de uma recessão. Certamente, a notícia de que o PIB sofreu uma retração de 3,6% no 4º trimestre caiu como uma bomba na reunião do Copom.

O cenário atual não permite acreditar numa mudança da tendência. A inflação está comportada e o medo de uma recessão obrigou o Banco Central a mudar o foco da política monetária, na tentativa, ainda que tardia, de retomar o crescimento."

José Góes, economista da consultoria WinTrade
Achei a decisão bastante agressiva, até surpreendeu diante da tradicional postura conservadora do BC. Foi uma boa decisão no sentido de incentivar a economia. Os últimos dados econômicos vieram muito abaixo do esperado, e a decisão foi acertada para combater esse quadro. Já olhando para mais para a frente, essa nota veio bem neutra, no sentido de não comprometer o BC em manter a queda no mesmo ritmo que está sendo feito até agora.”

Robson Braga de Andrade, presidente da Federação das Indústrias do EStado de Minas Gerais (Fiemg)
"Embora a decisão de hoje revele que o Banco Central finalmente entendeu a gravidade do momento, havia espaço para queda maior da Selic, ainda mais se levarmos em consideração que tal redução apenas afetará a atividade econômica com defasagem de vários meses.

É igualmente crucial, nesse momento, que o Banco Central trabalhe junto com o governo e com os parlamentares para que medidas capazes de reduzir os spreads bancários sejam adotadas. Só assim a sociedade sentirá o efeito da decisão de hoje em sua plenitude."

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails