BNDES financiará clientes da Embraer, diz Coutinho

'O mercado de crédito se fechou e é nossa obrigação financiar esses compradores', afirmou

SÃO PAULO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que a instituição irá financiar todas as empresas que tenham interesse em comprar aeronaves da Embraer, cumprindo o papel de Eximbank, ou seja, de financiador das exportações de empresas brasileiras. "O mercado de crédito se fechou e é nossa obrigação financiar esses compradores", disse após evento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

No entanto, Coutinho explicou que nesse papel de financiador dos clientes não tem como exigir da Embraer a garantia de empregos, desejo do sindicato da categoria, mas lembrou que indiretamente esse crédito servirá para manter os postos de trabalho da companhia. "Vamos contribuir para sustentar esses empregos e quem sabe retomar alguns", afirmou.

A contrapartida social, segundo o presidente do BNDES, só é feita quando a instituição financeira fornece crédito diretamente para a empresa. Nesse sentido, tem conversado com o Ministério do Trabalho para encontrar formas de aperfeiçoar esse controle.

Mercado de capitais

Coutinho acredita que o mercado de capitais no Brasil irá apresentar uma recuperação em termos de volume e de preços no quarto trimestre de 2009. "Muito mais cedo do que pensamos o mercado de capitais voltará a ser um propulsor da economia", afirmou. Ele lembrou que o Brasil tem potencial para atrair os investidores em diversos setores que possuem baixo risco, como infraestrutura e petróleo, e por isso o País sairá na frente das economias desenvolvidas no processo de recuperação, que deve ter início no segundo semestre.

Sobre possíveis problemas de governança corporativa que possam ter ocorrido no ano passado, Coutinho acredita que eles já foram precificados pelo mercado e que isso não será empecilho para uma retomada.

Justiça prorroga suspensão das demissões da Embraer

CAMPINAS - O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas), Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva, determinou em audiência de conciliação que começou às 9h30 desta sexta-feira, 13, a prorrogação da liminar que suspende os efeitos das demissões de 4.200 funcionários da Embraer, dispensados em 19 de fevereiro. A liminar vai vigorar até o dia 18, quando será julgado o recurso da fabricante de aviões contra a suspensão das demissões.

Diante do impasse entre representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Conlutas, da Força Sindical e advogados da Embraer, o juiz apresentou duas propostas de acordo. A audiência foi suspensa às 10h24 para avaliação destas proposições. A primeira delas sugere a suspensão do contrato de trabalho por 12 meses para qualificação profissional. Os trabalhadores teriam curso pago nos primeiros cinco meses com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, FAT, e nos sete meses restantes, o pagamento seria feito pela empresa. Neste caso, a Embraer também pagaria 20% do salário base aos funcionários durante a suspensão.

A segunda proposta de Sotero da Silva foi a de rescisão com manutenção de benefícios. Nesse caso, os funcionários seriam dispensados mediante pagamento de indenização no valor de um mês de aviso prévio por ano de serviço, com pagamento limitado a 15 vezes este valor. Na segunda proposta, o juiz sugeriu a manutenção de plano médico familiar por 12 meses por conta da empresa, garantia de preferência num prazo de dois anos em caso de reativação dos postos de trabalho e garantia de estabilidade aos trabalhadores mantidos na Embraer num prazo de 120 dias. Sindicalistas e advogados da empresa avaliam as propostas.

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