UBS acusa Receita americana de ignorar soberania suíça

O maior banco da Suíça, o UBS, acusou o fisco americano de ignorar a soberania da Suíça e expor seus funcionários à Justiça depois que o governo dos Estados Unidos divulgou que o banco ajudou milionários americanos a sonegar impostos.

A IRS (a Receita Federal dos Estados Unidos) pediu informações sobre 52 mil titulares de contas secretas na semana passada, depois que o órgão descobriu fraudes em declarações de renda. A polêmica entre as autoridades suíças e americanas abriu uma discussão sobre sigilo bancário em relação a esquemas financeiros.

Após um acordo amigável, o UBS aceitou pagar US$ 780 milhões para saldar o caso e entregar a identidade de cerca de 300 clientes suspeitos de evasão.

No acordo, o UBS admite "ter ajudado contribuintes americanos a esconder contas bancárias" do IRS (a Receita Federal do país). De acordo com estimativas da Justiça, cerca de 20 mil pessoas podem ter escondidos suas contas por meio de operações com o banco.

Após entregar as informações, o banco se recusou a abrir o sigilo de outros correntistas e expor seus funcionários envolvidos.

Ao tribunal federal de Miami (EUA), os advogados do UBS explicaram que a exigência das autoridades americanas obrigaria os funcionários do banco na Suíça a "violar direito penal suíço". Esta violação exporia os trabalhadores a "penas de prisão consideráveis, além de multas e outras punições", segundo os advogados.

"O fisco ignora simplesmente a existência do direito e da soberania suíça", acusam os advogados.

Na quinta-feira, a secretaria americana da Justiça anunciou a apresentação de uma demanda para exigir o UBS a entrega de informações relativas a 52 mil contas secretas identificadas pelo fisco dos Estados Unidos como pertencentes a cidadãos deste país e que somariam US$ 15 bilhões em ativos.

O avanço do governo americano sobre a identidade dos fraudadores do fisco irritou autoridades suíças. Na quinta-feira (19), o presidente da Suíça, Hans Rudolf Merz, disse que o sigilo bancário continuará intacto no país porque "essa é a vontade do governo".

Em reunião com correspondentes estrangeiros na Suíça, Merz afirmou que "o setor bancário não protege os fraudadores", em referência ao caso.

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails