Aos acionistas desses bancos, 13 médios e pequenos, foram impostas perdas totais, e suas agências, distribuídas entre os concorrentes, assim como as contas dos clientes. A expectativa é que até 1.000 dos 8.348 bancos dos EUA sejam liquidados nos próximos três anos pela FDIC, a agência federal que supervisiona o sistema.
Na semana passada, as ações dos quatro principais bancos dos EUA (Citigroup, Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo) tiveram forte queda na Bolsa de Valores de Nova York. Por trás da fuga dos investidores está o temor crescente de que algumas dessas instituições, especialmente Citi e Bank of America, sejam estatizadas.
O próprio presidente do Fed (o banco central dos EUA), Ben Bernanke, e o ex-presidente da instituição, Alan Greenspan, já consideraram abertamente a opção, pois o governo vai ficando sem alternativa para lidar com a virtual falência desses bancos, vistos como 'grandes demais para cair'. 'Qualquer que seja a decisão, há um forte compromisso dessa administração de manter os bancos privados e de devolvê-los ao setor privado o mais rapidamente possível', declarou Bernanke.
Governo dos EUA poderia adquirir até 40% do Citigroup
O governo dos Estados Unidos poderia estatizar parte do Citigroup em uma tentativa de evitar a quebra do maior banco americano por ativos, segundo reportagem do jornal "Wall Street Journal". Fontes revelam que a participação do governo pode ir de 25% a 40% no banco.
A informação surge após rumores de que o governo pode nacionalizar o Bank of America e o Citigroup, dois dos bancos afetados pela crise financeira e que já receberam ajuda financeira do governo no valor de até US$ 45 bilhões.
"É possível que as negociações fracassem, mas o governo poderá adquirir ações ordinárias do Citigroup em até 40%" do capital do grupo. Os diretores do banco acreditam que a participação do governo será em torno de 25%, revela o jornal, que cita pessoas ligadas a negociação.
Os rumores provocaram uma forte queda nas ações dos dois bancos ao longo da semana passada, arrastando junto a Bolsa de Nova York, cujo índice Dow Jones --o principal da Bolsa-- atingiu seu nível mais baixo desde 2002. Durante a semana, a ação do Citigroup caiu 41%, a US$ 1,95, e Bank of America perdeu 31%, a US$ 3,79.
A possibilidade de estatização dos bancos americanos foi revelada na sexta-feira (20) pelo presidente do Comitê Bancário do Senado dos EUA, Christopher Dodd. Para ele, bancos como Bank of America e Citigroup podem estatizados "por um período curto" para que possam atravessar a crise econômica.
"Eu não acho isso bom, de forma alguma, mas posso ver que é possível que venha a acontecer", disse Dodd, segundo a rede de TV especializada em economia Bloomberg. "Estou preocupado que acabemos por ter de fazer isso, ao menos por um curto período."
Um dos bancos mais afetados pela crise no setor financeiro, que se alastrou pela economia como um todo não só nos EUA, mas no mundo inteiro, o Citi teve um prejuízo de US$ 8,29 bilhões (US$ 1,72 por ação) no quarto trimestre do ano passado. No ano, o tombo foi ainda mais profundo --o prejuízo em 2008 foi de US$ 18,72 bilhões. Com isso, a estratégia do banco para sobreviver é separar a instituição em duas: o Citicorp e a Citi Holdings.
O Citicorp vai ficar com a operação bancária do grupo, presente em mais de cem países. Já o Citi Holdings irá lidar com a divisão de gerenciamento de ativos e de finanças do consumidor. O banco ainda concluiu os detalhes da garantia de US$ 301 bilhões que irá receber do governo americano para cobrir eventuais perdas com empréstimos e títulos lastreados em títulos ligados ao mercado imobiliário residencial e comercial, créditos ao consumidor e outros tipos de títulos de dívida.
O valor inicialmente anunciado pelo Citi para as garantias do governo era de US$ 306 bilhões, mas foi reduzido devido a efeitos de reavaliação de certos ativos desde o anúncio da ajuda, em novembro do ano passado.
O Bank of America, por sua vez, teve no quarto trimestre do ano passado um prejuízo de US$ 1,79 bilhão (US$ 0,48 por ação), contra um lucro de US$ 268 milhões (US$ 0,05 por ação) um ano antes. Foi seu primeiro prejuízo desde 1991. No ano, o banco lucrou US$ 4,01 bilhões --o valor, no entanto, é 73,23% menor que o resultado de 2007, quando obteve lucro de US$ 14,98 bilhões.
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