SÃO PAULO - Uma multidão estimada pelos organizadores em 600 mil pessoas saiu ontem às ruas de Caracas para protestar contra a emenda constitucional que - se aprovada no referendo do dia 15 - abrirá a possibilidade de reeleições ilimitadas para o presidente venezuelano, Hugo Chávez, atualmente em seu terceiro mandato (ele se elegeu em 1998; em 2000, sob as normas da Constituição de 1999, e em 2006).
A marcha pelo não, convocada inicialmente por estudantes universitários, percorreu 18 quilômetros, com os manifestantes exibindo camisetas e cartazes com o slogan não é não - em referência à derrota imposta pela oposição a Chávez em 2007, quando uma emenda semelhante foi rejeitada.
Três pesquisas de opinião divulgadas ontem mostram que a proposta de Chávez lidera com uma margem que varia de 3% a 16%, dependendo do instituto de pesquisa. A oposição espera mudar essa tendência incentivando os eleitores que discordam da medida a comparecerem às urnas, uma vez que o voto não é obrigatório na Venezuela. Ontem, Henry Allup, secretário geral da Ação Democrática (AD), de oposição, disse que o não vai se impor por mais de 10 pontos. Se aprovada, a proposta chavista também daria a governadores e prefeitos possibilidade de reeleições ilimitadas.
Num comício paralelo, realizado em Petare, no Estado de Miranda, Chávez respondeu dizendo que o não será pulverizado em uma semana. O presidente venezuelano disse também que sua vitória seria uma garantia de paz e que eles (a oposição) são garantia de violência.
No mesmo comício, o presidente venezuelano defendeu a prisão do líder do grupo chavista La Piedrita, Valentín Santana, acusado de promover atos de terror na Venezuela contra alvos políticos. ´´Essa pessoa deve ser detida porque não pode estar ameaçando ninguém de morte, nem fazendo justiça com as próprias mãos. Não vou tolerar anarquia enquanto eu governar a Venezuela´´, disse Chávez.
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