Míriam Leitão
Problemas graves da economia americana ficaram de fora do novo pacote, o de estímulo. Os banqueiros explicaram por que eles recebem dinheiro de um outro pacote, o de ajuda aos bancos. São duas coisas diferentes.
Dez mil famílias americanas perdem suas casas por dia, porque dez mil hipotecas são executadas sumariamente. Isso a cada dia. E lá, quando uma hipoteca é executada, a polícia vai e tira mesmo a família de casa. É um processo rápido e implacável.
Foi essa questão imobiliária que detonou a crise e que alimenta a tal espiral negativa de que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou. Porque é assim: as pessoas perderam a casa, os títulos hipotecários vão perdendo o valor. Esses títulos estão dentro dos bancos, o que piora mais ainda a situação dessas instituições, que estão com esses papéis em carteira.
Daí os bancos não emprestam, as pessoas reduzem o consumo e tudo vai ficando negativo. Pois bem: apesar disso, o pacote anunciado esta semana pelo Tesouro deixou essa questão imobiliária, que é a mais importante, para depois. E separou apenas US$ 50 bilhões para ajudar as famílias endividadas.
Bilhões e até trilhões são prometidos para resgatar os bancos, mas não se vai à causa dos problemas dessa questão imobiliária. O que o governo promete é que o outro pacote, o pacote de estimulo econômico, aquele aprovado no Senado agora, é que vai tentar criar os tais quatro milhões de emprego. E aí vai recomeçar a recuperação.
O segundo pacote, que foi anunciado esta semana pelo Tesouro (que é o Ministério da Fazenda deles) e o Banco Central, avisa que vai usar três instrumentos que estão levantando mais dúvidas. Especialistas continuam sem saber como vai funcionar. É que a administração Obama está tentando encontrar fórmulas para evitar o mais radical remédio que alguns economistas propõem: estatizar todos os bancos.
Ontem, quando o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, foi ao Congresso admitiu que muita coisa do pacote não está definida. É essa incerteza que está aumentando o pessimismo.
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