Paquistão liberta cientista que vendeu segredos nucleares ao Irã

da Reuters, em Islamabad

Cientista paquistanês Abdul Qadeer Khan confessou ter vendido segredos nucleares ao Irã, à Coreia do Norte e à Líbia

Uma corte do Paquistão libertou o cientista nuclear Abdul Qadeer Khan nesta sexta-feira, pondo fim aos cinco anos de prisão domiciliar do homem que esteve no centro do mais sério escândalo de proliferação nuclear do mundo.

Khan, tido por muitos paquistaneses como o pai da bomba atômica do país, confessou ter vendido segredos nucleares a Irã, Coreia do Norte e Líbia em 2004, Embora tenha siso imediatamente perdoado pelo governo, seus movimentos ficaram restritos a uma efetiva prisão domiciliar.

"É uma questão de alegria. O julgamento, com a graça de Alá, é bom", Khan disse a jornalistas do lado de fora de sua casa de Islamabad após a decisão da Alta Corte.

Em Washington, a secretária de Estado Hillary Clinton disse estar "muito preocupada" com a libertação de Khan, mas se recusou a comentar mais o caso.

Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que os EUA não haviam confirmado a decisão de corte, mas que "se ele for libertado, pensamos que será extremamente lamentável".

"Acreditamos que Khan continua um sério risco de proliferação", disse o porta-voz do Departamento de Estado Gordon Duguid. "O apoio à proliferação que Khan e seus associados forneceram ao Irã e à Coreia do Norte teve um impacto negativo na segurança internacional e terá pelos próximos anos", acrescentou.

Khan, 72, submetido a tratamento de câncer de próstata, disse não se importar como que governos estrangeiros pensam. "Sou obrigado a responder apenas ao meu governo e não a estrangeiros."

"Sempre serei orgulhoso pelo o que eu fiz pelo Paquistão", disse o cientista.

A detenção de Khan foi relaxada em 2008. Ele recebeu permissão para se encontrar com amigos e viajou à cidade de Karachi ao menos uma vez, sob forte esquema de segurança.

A detenção de Khan foi relaxada em 2008. Ele recebeu permissão para se encontrar com amigos e viajou à cidade de Karachi ao menos uma vez, sob forte esquema de segurança.
Ele também deu entrevista após o novo governo assumir, em março, mas foi proibido de falar com jornalistas em julho por decisão da Justiça.

"Homem livre"

O advogado de Khan, Ali Zafar, disse que a Alta Corte havia declarado que ele não estava envolvido em proliferação nuclear ou atividade criminal e que não há acusações contra ele. "A corte ordenou que ele é um homem livre", afirmou.

Islamabad há tempos alega que Khan não estava oficialmente em prisão domiciliar, mas que estava sendo detido por sua própria segurança. Não ficou claro de imediato em que grau as agências de segurança ainda irão restringir seus movimentos.

O Paquistão nunca deixou investigadores estrangeiros interrogarem Khan, dizendo que ele já havia passado toda a informação relevante sobre sua proliferação nuclear.

O governo se recusou a comentar a decisão da corte, mas disse que, como um Estado responsável e dotado de armas nucleares, havia tomado todas as medidas para promover o objetivo da não-proliferação.

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