Obama pede revisão da política para Paquistão e Afeganistão

Bruce Riedel, ex-oficial da CIA, deve examinar diretrizes antes de cúpula da Otan; enviado está na região

Reuters

FORT MYERS, EUA - O presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou uma revisão para examinar as políticas do país para o Afeganistão e o Paquistão antes do encontro de cúpula da Otan, em abril, disse a Casa Branca na terça-feira. "O presidente pediu a Bruce Riedel para chefiar uma revisão interagências da política dos EUA para o Afeganistão e o Paquistão a ser completada antes da cúpula da Otan", disse o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs a jornalistas sem dar outros detalhes, enquanto Obama voava para a Flórida para um evento em que ele defenderia seu ponto de vista sobre o pacote de estímulo econômico.

Riedel, um ex-oficial da CIA, é um ex-conselheiro sênior do Centro Saban para Política para o Oriente Médio, dentro do Brookings Institution, em Washington. Os pressionados líderes civis do Paquistão buscaram nesta terça-feira tranquilizar o novo enviado diplomático dos EUA quanto a uma série de questões vinculadas ao crescimento da militância islâmica. As prioridades de Richard Holbrooke são virar o jogo contra a insurgência da milícia Taleban no Afeganistão, esmagar a Al-Qaeda e garantir que nem o Paquistão nem o Afeganistão sejam usados como base para a "jihad" global dos seguidores de Osama bin Laden.

Holbrooke, conhecido por ter mediado o acordo que pôs fim à guerra da Bósnia, mais de 15 anos atrás, é relativamente novato nas questões do sul da Ásia. Nesta terça, ele encontrou o chanceler paquistanês, xá Mehmood Qureshi, e mais tarde seria recebido pelo primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani. Antes de partir, na quinta-feira, deve se reunir também com o presidente Asif Ali Zardari e com o comandante do Exército, general Ashfaq Kayani, entre outros.

Conhecido por seu estilo "trator", o veterano diplomata deve apresentar claramente os interesses dos EUA, mas também ouvirá atentamente os diferentes pontos de vista que circulam entre Islamabad e Cabul e, posteriormente, a Índia. "Estou aqui para ouvir e aprender as realidades do terreno neste país criticamente importante", disse Holbrooke ao desembarcar, na noite de segunda-feira.

Os EUA querem dar prioridade às questões de segurança, e precisam do apoio paquistanês para a ampliação do seu contingente no Afeganistão. Paquistão, Afeganistão e Índia, porém, têm suas próprias preocupações.

As tensões provocadas pelo atentado islâmico de novembro em Mumbai (Índia), que deixou 179 mortos, salientaram a crônica desconfiança entre as duas potências nucleares vizinhas, que já travaram três guerras desde meados do século 20. Além disso, o Paquistão deixou claro aos EUA que eventuais confrontos com a Índia obrigarão Islamabad a rebaixar o combate ao terrorismo na sua lista de prioridades.

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