Kadima vence Likud por pouco e disputa por premiê continua em Israel


Chanceler israelense Tzipi Livni festeja provável vitória de seu partido na eleição para o Parlamento e chama rival para união


O Kadima (centro) teve uma vitória apertada nas eleições parlamentares desta terça-feira em Israel, mas a disputa pelo cargo de premiê continua. Tanto a chanceler, Tzipi Livni, do Kadima, quanto o ex-premiê Binyamin Netanyahu (1996-1999), do Likud (centro-direita), declararam vitória de suas respectivas legendas no Knesset (Parlamento de Israel) e sua consequente conquista do cargo de premiê.

Com 99% das urnas apuradas, o Kadima conseguiu 28 cadeiras, enquanto o Likud, 27. O Yisrael Beitenu, (ultradireita), aparece em terceiro lugar, com 14 assentos, e o tradicional Partido Trabalhista (centro-esquerda) fica com 13 cadeiras. Em quinto lugar vem o Shas (ultraortodoxo), com 11 parlamentares eleitos.

Tradicionalmente, nos próximos dias, o presidente de Israel, Shimon Peres, apontará o líder do partido com maior número de cadeiras no Knesset como o responsável por formar alianças e chegar ao posto de premiê.

No entanto, a pequena diferença entre o número de cadeiras de Livni e Netanyahu dá margem para que ele negocie e obtenha mais apoios que Livni, "roubando" dela a indicação a premiê.

O resultado apertado, portanto, não aponta quem será o próximo premiê, porém o início de um cabo de força entre Livni e Netanyahu, no qual o vencedor será quem tiver maior número de simpatizantes no Knesset. Se os números se confirmarem ao final da apuração, o bloco de tendência direitista ao qual Netanyahu pertence terá 64 assentos das 120 cadeiras do Knesset.

"Esse é um dia maravilhoso para o Estado de Israel. O povo de Israel escolheu o Kadima e iremos montar um governo de união liderado pelo Kadima", disse Livni em discurso. "O que resta é fazer a coisa certa, é respeitar a escolha dos cidadãos israelenses, dos eleitores, e nos unirmos em um governo de união liderado por nós [do Kadima]".

Netanyahu

Pouco antes de Livni fazer seu discurso comemorando a vitória, Netanyahu falou a partidários confirmando que irá negociar com demais líderes partidários para ser premiê.

Para ele, o resultado apertado demonstra que os israelenses não querem mais o Kadima no poder --o atual premiê, Ehud Olmert, também é do Kadima e enfrenta pesadas denúncias de corrupção que chegaram a fazê-lo renunciar, no fim do ano passado.

Netanyahu aposta nas supostas dúvidas sobre a habilidade de negociação de Livni para conseguir mais alianças e chegar a premiê e na eleição dos parlamentares de direita. "A questão não é o que dizem as pesquisas [sobre a vantagem do Kadima], é o que diz a realidade", afirmou. "Temos maioria absoluta."

"Eu já conversei com os chefes do partidos políticos para começar a criar um novo governo em Israel, o que é minha intenção e o que prometi."

Olmert

Essas dúvidas quanto à habilidade de Livni em negociar com as outras forças estão ligadas, principalmente, ao fato de que, no final do ano passado, ela fracassou ao tentar formar uma coalizão que apoiasse sua indicação a premiê quando Olmert renunciou ao cargo por causa das denúncias de corrupção que já o fizeram testemunhar mais de dez vezes.

Na época, Livni foi incumbida pelo presidente Peres a conquistar apoio e assumir a cadeira, mas falhou. O resultado foi a convocação antecipada dessas eleições e o prolongamento do desgastado Olmert na vaga --ele só sairá quando ficar confirmado o sucessor.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) afirmou que o resultado das eleições desta terça-feira não oferecem garantias para que prossiga o processo de paz no Oriente Médio.

"Os resultados das eleições israelenses não têm elementos suficientes para possibilitar a paz", afirmou em comunicado Saeb Erekat, chefe negociador palestino.

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