Obama confirma retirada do Iraque

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira a retirada parcial das tropas americanas do Iraque até 31 de agosto de 2010, o primeiro passo efetivo de seu governo para encerrar o conflito que, em mais de cinco anos, custou cerca de US$ 1 trilhão e deixou mais de 4.250 soldados americanos mortos. Embora não tenha falado em números exatos, o plano de Obama representaria a retirada de entre 92 mil e 107 mil dos 142 mil soldados que atuam no país.

O plano anunciado por Obama inclui ainda a manutenção de uma força de segurança "de 35 mil a 50 mil homens" no país, com a retirada completa até o final de 2011, seguindo os prazos do acordo de segurança assinado pelo antecessor George W. Bush com os iraquianos, no final do ano passado.

Estas tropas, segundo Obama, serão responsáveis por treinar e equipar as forças de segurança iraquianas, além de servirem em missões de combate ao terrorismo e garantir a segurança dos diplomatas americanos que permanecem em solo iraquiano.


Presidente Barack Obama discurso em base da Marinha americana e confirma a retirada total das tropas

O presidente foi cauteloso ao reiterar, inúmeras vezes, que a retirada dos soldados não significava o fim da violência no Iraque. "Hoje falaremos do fim da Guerra do Iraque. Mas, sejamos francos, ainda não é seguro e a violência ainda fará parte do futuro do Iraque", ressaltou o democrata, um dos grandes críticos do confronto.

Obama afirmou ainda que os EUA não deixarão a "busca pelo perfeito" servir de desculpa para a manutenção do conflito. "Não podemos agradar todos os iraquianos, nem podemos ficar até que a união iraquiana seja perfeita. As mulheres e homens americanos de uniforme lutaram Província por Província para dar aos iraquianos uma oportunidade. Esperamos que eles a aproveitem", afirmou.

Atraso

O presidente não ignorou os críticos ao lembrar que, entre suas ambiciosas promessas de campanha, estava retirar todas as tropas americanas do país em 16 meses, o que significaria encerrar o conflito até maio de 2009. O democrata prometeu ainda iniciar a retirada logo no primeiro dia de seu governo e seguir um ritmo de ao menos uma brigada por mês.

Soldado americano segura bandeira em cerimônia em Bagdá; retirada será anunciada

Criticado pelas consequências da retirada antecipada dos soldados --que geraria caos e genocídios, nas palavras de McCain-- Obama adotou um discurso mais moderado e afirmou que a retirada seria feita com responsabilidade.

"Como candidato a presidente, falei em uma retirada de 16 meses, sempre mantendo contato com os conselheiros em segurança para realizar uma retirada responsável. Assim, escolhi o cronograma e a retirada será realizada em 18 meses", explicou Obama, que reiterou diversas vezes em seu discurso a importância de manter a situação estável no Iraque após a saída dos soldados americanos.

"Minha maior prioridade será a segurança de nossas tropas e dos cidadãos iraquianos. Faremos isso de maneira responsável e mantendo contato com conselheiros de segurança e iraquianos. Este plano dá aos iraquianos a flexibilidade necessária para serem bem sucedidos e para enfrentar momentos difíceis", continuou o democrata.

Obama reiterou ainda que os americanos precisam entender que os resultados obtidos até agora no país --com uma redução 'substancial' da violência sectária desde 2006-- é resultado dos sacrifícios dos soldados e de suas famílias. "As forças da [rede terrorista] Al Qaeda têm menos influência, os líderes iraquianos caminham para obter um poder legitimado", listou o democrata.

Nova era

Obama afirmou ainda que o fim da Guerra do Iraque marca uma nova era de diplomacia no Oriente Médio. 'O futuro do Iraque é inseparável do futuro do Oriente Médio. Nós precisamos trabalhar para que o Iraque seja um parceiro nas discussões regionais', afirmou o presidente, em discurso em Camp Lejeune, uma base da marinha na Carolina do Norte.

"Os EUA vão buscar um engajamento sustentável com todas as nações da região, o que inclui também o Irã e a Síria", disse Obama, se referindo a duas nações consideradas inimigas de Washington durante o governo do antecessor George W. Bush.

"Não podemos lidar com desafios regionais em partes, por isso renovamos nossos esforços em diplomacia e reduzimos o peso sobre os militares", completou Obama, que anunciou nesta quinta-feira um orçamento que diminuiu, pela primeira vez em sete anos, o gasto com as guerras no Iraque e no Afeganistão e reduziu ainda o ritmo de gastos com a Defesa.

"Toda nação deve saber, tanto faz se defende o bem ou o mal para os EUA, que o fim da guerra [no Iraque] dará uma nova liderança aos EUA na região", completou Obama, ovacionado em vários momentos de seu discurso. "Esta era acabou de começar".

Veja os principais pontos do plano de Obama para o Iraque

Retirada

A missão norte-americana de combate no Iraque vai acabar no dia 31 de agosto de 2010, mas ainda vão permanecer no país de 30 mil a 50 mil militares, para treinar e equipar as forças iraquianas e proteger as equipes de reconstrução provincial, projetos internacionais e a equipe diplomática.

Uma parte deste grupo, de tamanho não especificado, vai conduzir operações antiterrorismo por conta própria e em conjunto com as forças de segurança do Iraque.

Pacto

Os EUA assinaram um pacto de segurança com o Iraque, estabelecendo que o dia 31 de dezembro de 2011 é o prazo final para a retirada de todos os militares. Obama diz que continua sendo do interesse dos Estados Unidos reduzir o número de tropas a zero até esta data.

Cautela

Nesta quinta-feira (26), Obama reiterou ao Congresso, contudo, que 'reexaminará' seu plano de retirada das tropas caso a violência piore no país, segundo informou John McHugh, membro republicano da comissão das forças armadas da Casa de Representantes (Câmara dos Deputados).

"O presidente Obama me garantiu que reexaminará a questão se a situação sobre o terreno se deteriorar e a violência aumentar", disse McHugh em um comunicado.

Obama fez tal afirmação durante uma reunião na Casa Branca, com a participação do vice-presidente, Joe Biden, do secretário da Defesa, Robert Gates, e do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Michael Mullen, segundo McHugh.

Soldados mortos

Obama também suspenderá a determinação que proíbe fotografar a volta dos caixões com soldados mortos aos EUA, segundo informou nesta quinta-feira (26) o secretário da Defesa. A decisão de autorizar a cobertura da mídia no retorno dos corpos dos militares mortos no Iraque e no Afeganistão caberá agora aos familiares das vítimas.

Em entrevista coletiva, Gates anunciou a decisão de seu departamento de acabar com a proibição estabelecida em 1991 pelo presidente, George H. Bush, em relação aos soldados mortos na Guerra do Golfo.

Os corpos dos militares mortos nas missões no exterior costumam chegar à base da Força Aérea de Dover, no estado de Delaware, onde é realizada uma celebração religiosa antes da entrega a suas famílias. Segundo informações do Pentágono, 4.241 militares americanos morreram na Guerra do Iraque, enquanto outros 576 morreram no Afeganistão.

Diplomacia

A retirada deverá ser acompanhada de um grande esforço diplomático que envolverá potências regionais, embora as autoridades não mencionem especificamente o vizinho Irã. Líderes iraquianos serão estimulados a lidar com questões políticas que têm o potencial de reacender as disputas civis.

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