Netanyahu tenta alianças em IsraelJERUSALÉM - Benjamin Netanyahu, líder do partido direitista Likud, descartou nesta quarta-feira, 11, a possibilidade de se alternar na chefia do governo com Tzipi Livni, a dirigente do centrista Kadima, a legenda mais votada nas eleições de terça-feira, e reiterou que ele será o próximo primeiro-ministro de Israel. Em um encontro com os deputados eleitos do Likud, Netanyahu destacou que Livni deve deixar de lado considerações políticas e se unir a um governo presidido por ele, informou a versão digital do jornal Yedioth Ahronoth.
"Recebemos um mandato do povo e devemos nos dirigir a nossos parceiros naturais e, depois, tentar expandir o governo", disse Netanyahu aos deputados, aos quais assegurou que "não haverá alternância" de poder, uma possibilidade levantada pelos analistas e que não é inédita em Israel.
Após as eleições de 1984, a maioria dos grupos parlamentares recomendou ao chefe do Estado que deixasse o governo nas mãos do então líder do Likud, Yitzhak Shamir, cuja legenda tinha sido menos votada que o Partido Trabalhista, liderado então por Peres, mas que contava com o apoio de outras formações.
Como solução, Shamir e Peres pactuaram a formação de um governo de união nacional em cuja chefia se alternaram. Netanyahu iniciou nesta quarta as negociações para liderar uma coalizão e se reuniu com o dirigente do partido ultra-ortodoxo sefardita Shas, Eli Yishai, cuja legenda obteve 11 deputados.
Mais tarde, ele se encontrou com o líder ultranacionalista Avigdor Lieberman, cuja formação -Yisrael Beiteinu-, com 15 deputados, pode ser crucial para forjar alianças e que poderia dar a chefia do governo tanto a Netanyahu como a Livni.
Apesar de os partidários do Kadima terem festejado bastante os resultados, não existe certeza de que Livni será incumbida de formar o governo e o resultado apertado indica que Israel atravessará ainda muitas semanas de incerteza política.
Em Israel, o primeiro-ministro não é necessariamente quem conquistou mais votos, mas sim aquele que conseguiu formar uma coalizão de governo. O presidente israelense, Shimon Peres, deverá encomendar aos candidatos a formação do próximo Executivo, tomando como base consultas com os 13 partidos que obtiveram representação parlamentar.
Livni se reúne com ultranacionalista para tentar coalizão
Livni é flagrada durante comemoração do Kadima após anúncio da boca-de-urnaDepois da inconclusiva eleição de terça-feira, que mergulhou Israel num impasse político após produzir dois vencedores, a líder do Kadima, Tzipi Livni, se encontrou nesta quarta-feira, 11, com o ultranacionalista Avigdor Lieberman, cujo partido Israel Beiteinu ficou em terceiro na disputa, numa tentativa de organizar uma coalizão. Segundo o jornal Haaretz, durante o encontro, Livni afirmou que foi escolhida pelo povo para ser premiê e que pediu para Lieberman apresentar suas propostas, afirmando que este é um momento de união no país.
Tanto Livni quanto o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declararam-se vencedores das acirradas eleições israelenses, armando o cenário para um disputa de poder com potencial para se estender por bastante tempo. O governista Kadima (centro), de Livni, confirmou as pesquisas que apontavam a recuperação do partido e obteve 28 das 120 cadeiras do Parlamento. Em segundo lugar, com apenas uma cadeira de diferença, terminou o Likud (direita), de Netanyahu, que chegou a liderar as sondagens com folga, mas perdeu terreno nos dias que antecederam a votação. "Venci", foi a manchete do maior jornal do país, Yedioth Ahronoth, junto a fotos de ambos os políticos.
Após o encontro com Lieberman, Livni prometeu lutar para se tornar a próxima premiê do país. "As pessoas me escolheram para governar. Sinto que é uma grande responsabilidade traduzir o poder que me deram em ações, em fazer o país avançar e unificar as pessoas", afirmou Livni. O presidente Shimon Peres terá de decidir se convidará Livni ou Netanyahu para tentar formar o governo. O convidado terá seis semanas para isso. A imprensa israelense disse que Peres terá de convidar Netanyahu se todos os partidos de direita o apoiarem. Em 60 anos de história, nunca o vencedor da eleição foi para a oposição.
Para compor maioria no Parlamento israelense, de 120 cadeiras, é necessária uma bancada mínima de 61 deputados. Como nenhum partido chegou perto disso, a formação de uma coalizão torna-se necessária. E, em Israel, o partido que vence a eleição não é necessariamente incumbido de formar o governo. Se outra agremiação tiver mais chances de estabelecer uma coalizão majoritária, isso pode ser feito.
Formação da coalizão
O Israel Beitenu, de extrema direita, obteve um inédito terceiro lugar, com 15 cadeiras. Já o Partido Trabalhista, do ministro da Defesa Ehud Barak, ficou em quarto lugar, com 13, pior desempenho da história desta agremiação de centro-esquerda. O partido religioso ultraortodoxo Shas, ficou em quinto, com 11 cadeiras, confirmando o avanço da direita nas urnas.
O ultradireitista Avigdor Lieberman pode ser o fiel da balança. "Queremos um governo nacionalista. Queremos um governo direitista (...), e não estamos escondendo isso", afirmou ele após a eleição. No entanto, mantendo outras opções em aberto, declarou que "a decisão não será simples". Netanyahu também vai se reunir com Lieberman nesta quarta para propor a formação de uma coalizão, embora o partido ultranacionalista recuse a compor um governo ao lado dos ultraortodoxos do Shas.
Netanyahu tem mais chances do que Livni de formar uma nova coalizão de governo em Israel, avaliou a mídia local nesta quarta-feira. "Ele perdeu, mas vai levar", dizia a manchete do tabloide Maariv, referindo-se ao fato de o Likud, de Netanyahu, ter ficado com uma cadeira a menos do que o Kadima, de Livni, no Parlamento do país.
Pelas contas dos analistas, em tese, Netanyahu tem a possibilidade de agregar um total de 65 cadeiras: as 27 do Likud, 15 do ultranacionalista Yisrael Beitenu, 11 do ultraortodoxo Shas, cinco do Judaísmo da Torá Unida e sete de dois partidos de colonos de extrema direita. Livni, por sua vez, poderia contar apenas com 44 cadeiras: as 28 do Kadima, 13 do Partido Trabalhista e três do esquerdista Meretz. As 11 cadeiras restantes do Parlamento estão nas mãos de partidos árabes. Analistas políticos consideram improvável que eles venham a integrar formalmente alguma das coalizões.
"Apesar do resultado das urnas, não está garantido que Livni conseguirá formar uma coalizão com as 61 cadeiras necessárias para a formação de um governo", escreveu o Haaretz. "As opções de Tzipi Livni são bastante limitadas", observou o site de notícias Ynet, um dos mais populares de Israel. "Na noite de terça-feira ela já havia prometido abordar o Likud e os trabalhistas para atraí-los para sua coalizão. Depois ela também tentará atrair o Israel Beitenu e o Shas para seu governo ao mesmo tempo em que estará conversando com o Meretz, que por sua vez não aceitará fazer parte do mesmo governo que o Israel Beitenu", especulou o Ynet.
"Enquanto isso, Netanyahu também tem as mãos atadas, apesar de parecer que as opções dele são um pouco mais diversificadas: ele prometeu abordar o Shas e o Israel Beitenu antes de se engajar em negociações com os demais. Esses dois partidos dariam a ele mais 25 cadeiras, mas isso ainda não é suficiente", prosseguiu. "Ele terá de - e ele declarou que quer isso - atrair o Kadima e os trabalhistas para seu governo. Outra possibilidade para ele é formar um governo direitista religioso com o Casa Judaica e o União Nacional, mas sem trabalhistas e Kadima."
Com os eleitores tão divididos, há quem sugira que Israel talvez devesse recorrer à fórmula de 1984, quando o Likud e os trabalhistas chegaram a um acordo de rotatividade de governo depois de um resultado apertado nas urnas. "Netanyahu não gosta da ideia; Livni também não. Ainda assim, isso poderia ser uma possibilidade em nome da estabilidade", concluiu o Ynet.
Conheça os principais partidos israelenses
Os 120 membros do Knesset (Parlamento israelense) são escolhidos por representação proporcional, ou seja, os eleitores votam para uma lista do partido em vez de escolher candidatos específicos. O número de candidatos de cada partido que entram para o Parlamento depende de quantos votos a lista do grupo recebe. Veja os principais partidos políticos.
Kadima (centro) - O Kadima foi fundado pelo ex-premiê Ariel Sharon, que deixou o Likud por enfrentar resistências à sua decisão de desocupar a Faixa de Gaza, em 2005. O partido comanda a coalizão de governo em Israel desde a sua criação. Quando Sharon entrou em coma, o primeiro-ministro Ehud Olmert assumiu a liderança do partido e conseguiu garantir o triunfo de 29 cadeiras em 2006, embora tenha perdido apoio durante a guerra contra o Líbano. Uma série de escândalos e processos de corrupção levaram Olmert a renunciar em setembro. A chanceler israelense, Tzip Livni, assumiu a liderança do Kadima, mas não conseguiu formar uma nova coalizão para que pudesse assumir a chefia de governo. Diante do impasse, ela teve de aceitar a convocação de eleições que, segundo as pesquisas, terá dificuldades em vencer.
Livni, ex-advogada e ex-agente do Mossad (serviço secreto israelense), tenta se tornar a primeira mulher a governar Israel desde Golda Meir, na década de 1970. Como chanceler, Livni comanda as negociações com os palestinos, com resultados aquém do esperado neste ano. Ela diz que, se eleita, continuará empenhada no processo de paz, mas reiterou durante a ofensiva contra Gaza que o Hamas será repreendido militarmente por lançar foguetes contra cidades israelenses.
Likud (centro-direita) - Fundado em 1973 por Herut de Menachem Begin, teve como um de seus principais expoentes o premiê Ariel Sharon, que também foi uma de suas maiores decepções após anunciar a saída do partido em meio aos preparativos para as eleições de 2006. Com criação de um novo partido, o Kadima, Sharon arrastou consigo boa parte dos líderes mais poderosos do Likud. Em 2003 o Likud adquiriu grande poder político conquistando 40 cadeiras do Knesset. Em sua plataforma de governo, o Likud é enfático com relação aos palestinos
Partido Trabalhista (centro-esquerda) - O Partido Trabalhista foi fundado em 1930 como um braço moderado do Partido Sionista Russo. A legenda que governou Israel na primeira metade dos 60 anos de existência do Estado judeu se expandiu com líderes como primeiro premiê de Israel, David Ben-Gurion, e a ex-premiê Golda Meir. Os trabalhistas chegaram a forjar acordos de paz com os palestinos, na década de 1990, com Yitzhak Rabin e Shimon Peres. O partido volta à disputa liderados pelo ex-premiê e atual ministro da Defesa, Ehud Barak, e sua popularidade cresceu após a ofensiva israelense em Gaza, apesar de ainda viver na sombra do Kadima e do Likud.
Shas (extrema direita) - Independente de que se tornar premiê provavelmente terá o partido ultraortodoxo no gabinete. Com posição fixa em sucessivos governos, o Shas conta com o apoio entre a crescente comunidade de judeus no Oriente Médio cujo líder espiritual é o rabino iraquiano Ovadia Yosef, de 88 anos. O Shas é contra a divisão de Jerusalém - uma das propostas fundamentais para o acordo de paz com os palestinos, que querem a área oriental da cidade (ocupada por Israel em 1967) como a capital de seu futuro Estado.
Israel Beiteinu (extrema direita) - Liderado pelo imigrante soviético Avigdor Lieberman, o "Israel é nossa casa" é visto como o "mais pragmático" entre os partidos que defendem uma "solução demográfica". O partido defende uma "troca de territórios", que inclui a entrega das aldeias árabes israelenses à Autoridade Palestina em troca da anexação, por Israel, dos assentamentos que o país construiu na Cisjordânia. Atualmente, ele controla 11 dos 120 assentos no parlamento.
DEMAIS PARTIDOS
Cerca de um terço do Parlamento é controlado por partidos menores. O Yahad-Meretz (5 cadeiras) é frente pacifista de esquerda e que não faz parte da coalizão governista. Entre os árabes, o partido comunista Hadash, o Balad (Assembleia Nacional Democrática, árabe secular) e o Lista Árabe Unida representam os cidadãos árabe-israelenses e possuem juntos dez assentos. O Judaísmo Unido da Torá (seis cadeiras) representa os judeus ultraortodoxos da comunidade Ashkenazi, de refugiados europeus. O União Nacional, com nove assentos, é uma coalizão ultraortodoxa que exige o fim das negociações de paz. O Partido dos Aposentados, com sete vagas, luta pelos direitos de saúde e pensão para a crescente população idosa israelense.
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