
Tzipi Livni comemora vitória apertada ao chegar na sede do Kadima; cargo de premiê terá alto custo em meio a negociações de coalizão
A vantagem de apenas uma cadeira ao Partido Kadima ainda não pode ser considerada a vitória da candidata da legenda, a chanceler Tzipi Livni, que busca na tarde desta quarta-feira apoio do terceiro colocado na disputa, o Partido Ysrael Beiteinu (extrema direita), do líder Avigdor Lieberman.
Nesta quarta-feira, Livni disse para Lieberman que a população já fez a sua escolha pelo próximo primeiro-ministro, e que "ela teria sido a preferida". Em entrevista divulgada pelo jornal "Hareetz", Livni comemorou a vitória apertada em frente a sua casa, em Tel Aviv. "A população me escolheu. Eu sinto uma grande responsabilidade de fazer a transição do poder, para que possa trazer avanços ao país e unir a população", afirmou Livni.
Com 28 cadeiras no Parlamento, o Kadima busca apoio da extrema direita que no pleito conquistou 15 assentos. O principal adversário, o Partido Likud --representado pelo ex-primeiro ministro Binyamin Netanyahu conquistou 27 vagas no Parlamento. Para tentar eleger Netanyahu, o partido busca ajuda com os ultraortodoxos do Shas, quarto colocado na disputa com 11 assentos.
Os resultados são baseados em 99% dos votos apurados e o resultado final será divulgado nas próximas horas. Segundo o líder do Shas, Eli Yishai, não está descartada a formação de uma aliança com o Likud. "No passado, temos mais afinidades [em relação ao Kadima]", argumentou o ultraortodoxo. Além do encontro marcado com o Shas, o Likud se encontrou também com lideranças do Judaísmo Unido da Torá, que conseguiu cinco cadeiras no Parlamento.
Em entrevista à rádio Army, Yishai afirmou que a coalizão com Netanyahu já estava sendo negociada antes das eleições. "Nós nos comprometemos com a candidatura de Binyamin e a população mostrou isso nas urnas, que quer um governo de direita. Sendo assim, não há porque mudarmos de opinião", afirmou o ultraortodoxo.
Resistência

Binyamin Netanyahu deixa reunião no Parlamento, primeiro passo para discutir coalizão de governo que o colocaria como premiê
De acordo com o jornal "Jerusalem Post", a possibilidade de união entre o Shas e o Yisrael Beiteinu, em uma mesma coalizão, está descartada. "O anúncio veio depois que Lieberman [líder do Yisrael Beiteinu] afirmou que não iria esquecer das críticas feitas pelo partido Shas durante a campanha", informou a publicação.
No último sábado (7), o líder espiritual do Shas, Rabbi Ovadia, afirmou que "os eleitores que votassem em Lieberman estariam de acordo com o Satã".
Em um cenário onde previsões são arriscadas, os analistas políticos lembram que, mesmo que Lieberman se alie ao Kadima, Netanyahu está em melhor posição para formar uma coalizão de governo. Aliado com os partidos simpáticos a sua ideologia, o líder do Likud tem possibilidade de formar uma coalizão de 65 deputados, enquanto Livni só reuniria 55.
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