
A fabricante americana de veículos GM (General Motors) ofereceu um plano de demissão voluntária a seus 62 mil funcionários que são filiados ao UAW (United Auto Workers, principal sindicato do setor), disse nesta quinta-feira o porta-voz da empresa Tom Wilkinson à agência de notícias France Presse. A proposta "foi oferecida a todos", disse Wilkinson.
O objetivo da medida é permitir à empresa contratar novos operários com salários e com custos sociais menos elevados. A direção da GM espera que pelo menos 11 mil desses funcionários aceitem o pacote preparado para incentivar a saída da empresa, que consiste em US$ 20 mil de indenização e um bônus de US$ 25 mil para a compra de um novo veículo. A oferta deverá permitir aos funcionários enquadrados nas condições propostas deixar o grupo até 1º de abril.
De forma complementar a isso, a GM já havia anunciado que iria oferecer aposentadorias antecipadas. "Os funcionários elegíveis para a aposentadoria dentro do programa receberão um vale para a compra de um veículo e um pagamento em dinheiro", afirmou a GM em comunicado na ocasião. Atualmente, cerca de 22 mil trabalhadores têm direito a optar pelo plano de aposentadoria antecipada.
A proposta é parte do plano de negócios que a montadora apresentará às autoridades federais na próxima semana para justificar a ajuda recebida do governo. Em reportagem de hoje, o diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ") informou que a proposta seria estendida a 22 mil desses funcionários.
O governo emprestou à empresa US$ 13,4 bilhões em dezembro para que a empresa pudesse fechar suas contas. A GM ficou, assim, comprometida a apresentar um plano de reestruturação para viabilizar suas operações.
Na terça-feira (10), a empresa informou que vai cortar 10 mil postos de trabalho em 2009 --13,7% de sua força de trabalho-- como parte do plano. Só nos EUA, cerca de 3.400 dos 29.500 cargos administrativos devem ser fechados --a expectativa é que os cortes ocorram até maio.
A General Motors não especificou a distribuição geográfica dos outros postos que serão eliminados. Procurada, a GM do Brasil afirmou que "não tem nenhuma informação adicional ao que foi divulgado pela matriz, nos Estados Unidos, ou sobre o detalhamento da medida".
Segundo o "WSJ", a GM e representantes do sindicato devem passar o fim de semana estudando uma outra forma de reduzir custos, que podem incluir reduções nos pagamentos suplementares feitos a funcionários que já foram demitidos e um afrouxamento nas regras estabelecidas pelos sindicatos, segundo uma fonte próxima as negociações ouvida pelo jornal. Com isso, teriam de ser revistas cláusulas estabelecidas nos contratos de trabalho assinados em 2007.
A GM tem um custo por veículo produzido de US$ 1.300 a mais que a Toyota, segundo dados das montadoras fornecidos ao "WSJ".
Desde o início da crise, a GM já anunciou a demissão de 11 mil empregados nos EUA, sendo os últimos 2.000 postos nas fábricas nos Estados de Michigan e Ohio. Além disso, unidades foram paradas e a linha de produção reduzida.
A montadora é a mais afetadas pela crise mundial. Em janeiro, a GM registrou queda de 49% em suas vendas nos Estados Unidos, em relação ao mês anterior, com 129.227 veículos comercializados. Com o resultado ruim, a GM prevê que a produção somará 380 mil carros no primeiro trimestre de 2009, o equivalente a uma queda de 57% sobre o mesmo período do ano passado.
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