
Duda Teixeira
Trata-se de uma invenção de Chávez. A palavra "basura", aqui, significa lixo. O emprego-basura é aquele oferecido a boa parte dos contratados pelo governo chavista. Eles recebem salários, mas não possuem uma função específica. Comparecem à repartição alguns dias do mês, às vezes, nas duas primeiras semanas. No resto dos dias, se dedicam a organizar eventos e a fazer passeatas e pequenas manifestações, como as da foto.
Isabel Pereira Pizani, venezuelana que pesquisa o desemprego na ONG venezuelana Cedice, calcula que os empregos-basura sejam 80% das quase 1 milhão de vagas criadas nos dez anos de governo bolivariano.
Uma comprovação da existência dos empregos-basura se deu quando o atual prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, assumiu a prefeitura e encontrou na folha de pagamento do ex- prefeito, chavista, 9000 cargos assim. A criação dessas vagas é que explica, em grande parte, a redução do desemprego no país.
No Brasil, o empregado-basura seria quase um funcionário fantasma. A diferença é que no Brasil o fantasma não é obrigado a ir às passeatas.

Temendo a derrota sinalizada pelas primeiras pesquisas de opinião, Chávez colocou toda a máquina estatal em prol da campanha pelo "sim" para, dessa maneira, conquistar o direito de permanecer indefinidamente no poder.
Caracas está inundada com outdoors, cartazes e pinturas nos muros pedindo o "sim". Funcionários públicos deixam o expediente durante o almoço para, à tarde, empunhar cartazes nos semáforos e nas ruas.
No conjunto de prédios do bairro 23 de janeiro, agora se lê um enorme outdoor com os dizeres: "Que se sigan las misiones". Até então, estava a mensagem "por enquanto", colocada depois que Chávez perdeu o referendo para modificar a constituição, no final de 2007.
O interessante da campanha atual é que quase não se explica o objeto do referendo, quer seja, a possibilidade do presidente se reeleger indefinidamente. Em um dos comerciais da televisão, afirma-se que a vitória do "não" acabaria com a educação pública e o atendimento gratuito à saúde.
A campanha do "não" se limita a adesivos nos carros, inserções de pouco segundos na televisão e chamadas de telefone previamente gravadas.
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