
Em conferência sobre segurança, vice dos EUA inaugura gestão prometendo novo tom; cooperação com Rússia e abertura ao Irã
No primeiro grande discurso desde a posse, o vice-presidente americano, Joe Biden, disse neste sábado, durante conferência mundial sobre segurança, em Munique (Alemanha), que quer "estabelecer um novo tom em Washington e nas relações dos EUA em todo o mundo". "Iremos nos comprometer. Iremos ouvir. Iremos consultar. Os EUA precisam do mundo, assim como nós acreditamos que o mundo precisa dos EUA."
"Os EUA farão mais, mas também exigirão mais de seus parceiros. As ameaças que temos não respeitam fronteiras. Nenhum país, não importa quão poderoso, pode evitá-las sozinho."
Conhecido por sua experiência em relações internacionais e por ser falastrão, Biden pareceu delinear o seu papel na gestão do presidente Barack Obama ao criticar diretamente a política do último presidente, George W. Bush (2001-2008), e abordar diversos tópicos importantes para a diplomacia americana, incluindo as relações com a Rússia e o Irã.
Biden repudiou claramente a política "conosco ou contra nós" do governo Bush e ainda atacou o ceticismo do ex-presidente em relação ao agravamento das condições climáticas do planeta. Ele ressaltou, no entanto, que o país continua disposto a usar a força para se proteger. "Foi a força das armas que conquistou nossa independência e, em toda história, a força das armas tem protegido nossa liberdade. Isso não vai mudar."
Rússia
Em relação à Rússia, Biden disse que a construção do escudo antimísseis no Leste Europeu --que enfrenta forte oposição de Moscou, atualmente-- irá continuar, porém sob cooperação "dos aliados da Otan [aliança militar ocidental] e da Rússia". "Continuaremos desenvolvendo defesas antimísseis conforme a crescente capacidade iraniana, desde que a tecnologia seja comprovadamente eficiente e financeiramente viável."
"Os EUA rejeitam a visão de que os ganhos da Otan são perdas da Rússia ou de que a força da Rússia é a fraqueza da Otan", afirmou.
Biden ainda defendeu a proposta de que ambos os países trabalhem juntos no combate as grupo fundamentalista Taleban e à rede terrorista Al Qaeda. O tom conciliador vem depois de uma semana na qual o Quirguistão, em atendimento a uma exigência russa, anunciou que irá expulsar os americanos de sua base aérea em Manas --a última dos EUA na região--, o que dificulta muito o abastecimento das tropas ocidentais no Afeganistão.
Também nesta semana, Dmitri Medvedev, presidente da Rússia, anunciou a intenção de formar um batalhão regional --ao lado de seis ex-repúblicas soviéticas aliadas-- para lutar contra o terrorismo na Ásia Central, em uma sequência à provável tentativa de minar a influência americana na região.
Biden, apesar da aparente disposição em dialogar com a Rússia, destacou que os EUA não irão reconhecer a soberania dos territórios separatistas da Geórgia, a Abkházia e a Ossétia do Sul. "Não vamos reconhecer uma esfera de influência."
Irã
"Estamos dispostos a falar com o Irã e a oferecer uma escolha muito clara: continuar no atual caminho --e enfrentar pressão e isolamento-- ou abandonar o seu programa nuclear ilegal e o seu apoio ao terrorismo para receber incentivos significativos", afirmou Biden em uma postura que corrobora a demonstrada por Obama desde a campanha à Presidência.
Conforme a revista "Foreign Policy", inclusive, a equipe de Obama já teve pelo menos quatro encontros com emissários do governo iraniano, desde setembro do ano passado.
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