Bernard Madoff é acusado de fraudes que desviaram US$ 50 bilhões. Promotor argumentou que financista obstruiu a Justiça.
A Promotoria dos Estados Unidos em Nova York pediu nesta segunda-feira (6) o fim da liberdade sob fiança do ex-presidente da Nasdaq, Bernard Madoff, com o argumento de que ele desrespeitou a Justiça ao enviar relógios luxuosos e jóias para parentes e amigos que valem mais de US$ 1 milhão.
Ele é acusado de orquestrar um esquema de fraudes financeiras que desviaram cerca de US$ 50 bilhões de investidores de todo o mundo. Foi preso em 11 de dezembro de 2008 e conseguiu a liberdade provisória depois de pagar uma fiança de US$ 10 milhões. Agora, a Promotoria quer que Madoff volte a ficar preso na cadeia.
"As recentes ações do acusado se tratam de obstrução à Justiça", argumentou o promotor de justiça Marc Litt ao juiz Ronald Ellis em uma audiência de uma hora.
Na audiência, o promotor argumentou que Madoff obstruiu a Justiça ao tentar liquidar bens que podem restituir as perdas das vítimas do esquema de fraudes financeiras do qual é acusado. O juiz intimou Madoff a apresentar uma defesa por escrito nesta semana e adiou a decisão sobre a possível prisão preventiva.
O advogado de Madoff, Ira Sorkin, disse que seu cliente não violou nenhuma ordem judicial de bloqueio de bens ao enviar os itens para o seu irmão, seu filho, sua enteada e um casal de amigos.
Sorkin chamou o incidente de um “erro inocente” e disse que Madoff e sua esposa pediram a devolução dos itens assim que foram informados de que não poderiam mandá-los para outras pessoas. O advogado também alegou que alguns dos itens enviados pertenciam à esposa de Madoff, e, portanto, não estavam sujeitos a uma restrição judicial neste momento.
"Sustentamos que ocorreu de maneira inocente", disse Sorkin. "Ele não é uma ameaça para a comunidade, e não há risco de que ele venha a fugir”, acrescentou.
A audiência foi o último capítulo da batalha em curso entre a Promotoria e Madoff sobre sua fiança. Madoff foi liberado sem restrições após a sua prisão, gerando críticas de que era injusto que um homem acusado de tão vultuosa fraude financeira pudesse caminhar livre pelas ruas de Nova York. Só um tempo depois da liberdade obtida com fiança, a Promotoria exigiu condições mais restritivas para a sua liberdade. Madoff agora está agora sob vigilância constante policial em prisão domiciliar e só pode sair de seu apartamento em Manhattan para ir a audiências.
Os bens de Madoff são importantes no inquérito que investiga o caso, porque as autoridades querem fazer um inventário do patrimônio do financista para restituir as perdas dos investidores.
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