Reinaldo Azevedo
Sim, leitor, um criminoso só é ex-criminoso depois de cumprir a pena. E, claro, ao escrever isso, penso sempre em estados democráticos e de direito, não em ditaduras ou regimes de exceção. A Itália, depois da queda do fascismo, jamais deixou de ser uma democracia — à diferença do que sugere Tarso Genro. Sustentar que houve excessos dos dois lados é equiparar a democracia italiana aos facínoras de extrema esquerda e de extrema direita que tentaram golpear o país.
“Ah, mas Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua. Como fica então?” Enquanto não cumprir pena em seu país e enquanto ela não for comutada em alguma outra, será eternamente um terrorista. Nem o status de refugiado político, que lhe foi concedido por Tarso Genro, muda isso.
O governo brasileiro lembra o asilo concedido a Stroessner, ex-presidente do Paraguai, para indicar que não se trata de afinidade eletiva com este ou aquele lados. O exemplo parece bom, mas é péssimo. Países mundo afora concedem asilo político a governantes depostos por razões humanitárias — e nem sempre têm a ver com a "humanidade" do asilado, mas da população de seu país de origem. A fuga do deposto ajuda a pacificar os revoltosos. Mais: a deposição de governantes se dá, fatalmente, em situações políticas de exceção. Alguns notórios salafrários conseguiram abrigo em sólidas democracias.
O caso de Battisti é rigorosamente outro. Ele foi condenado na Itália por quatro assassinatos. E não havia exceção nenhuma em curso — o estado italiano se defendia, sim, da ação de terroristas como ele. Tarso diga o que quiser, mas afirmar que o refúgio a Battisti foi concedido em razão do risco de perseguição em seu país de origem é uma consideração ofensiva ao estado italiano.
Democracias não perseguem, mas aplicam a lei. E a Itália é uma democracia.
PS: Ah, sim: José Dirceu deu seu integral apoio à decisão de Tarso Genro. Por que não daria?
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