O "sim" à nova Constituição venceu com 61,68% dos votos, contra 38,32% que escolheram o "não", no referendo realizado no último domingo, informou em seu site a Corte Nacional Eleitoral (CNE), com 99% dos votos apurados.
Evo Morales prepara leis e decretos para aplicar nova Constituição da BolíviEm entrevista coletiva, Morales explicou que seu gabinete trabalha em uma nova Lei Orgânica do Poder Executivo, que responda ao conteúdo da nova Constituição e que será apresentado ao Congresso Nacional quando a Carta Magna for promulgada.
Uma equipe do governo prepara também a configuração do novo regime eleitoral para as próximas eleições gerais de dezembro, que deverá ser sancionado pelo Congresso Nacional em um prazo de 60 dias a partir da promulgação da Carta Magna, segundo o presidente.
Outros dos projetos mais imediatos para aplicar a nova Constituição são a criação de um Ministério de Autonomias e de um Conselho Autônomo.
Autonomias
Morales reiterou sua intenção de convocar "um a um" os governadores para "recolher suas propostas e estudar como implementar o tema de autonomias".
"Estamos abertos ao diálogo, como sempre", destacou o presidente, que, no entanto, voltou a rejeitar a possibilidade levantada por alguns setores da oposição autonomista de modificar a nova Constituição.
"A nova Constituição aprovada pela vontade soberana do povo já é de fato um pacto", disse.
Morales garantiu que a participação dos governadores opositores na aplicação do regime autônomo "vai ser importante, como também o será a dos movimentos sociais e a das autoridades municipais".
Decretos
Sobre os aspectos da Carta Magna que podem ser regulados mediante decretos, Morales lembrou que o artigo 109 do novo texto afirma que "todos os direitos reconhecidos na Constituição Política do Estado são diretamente aplicáveis".
Neste sentido, se referiu a direitos sobre serviços básicos como água, moradia, eletricidade e saúde, e sobre o direito dos bolivianos que se encontram fora do país de votar.
Morales admitiu que a implementação da Carta Magna não é um processo fácil, porque exige novas funções, novas competências, normas e procedimentos "e, especialmente, uma nova mentalidade'.
"Precisamos começar a nos descentralizar. Se quisermos mudar a Bolívia, temos de mudar nós mesmos", enfatizou Morales.
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