Ofensiva contra Gaza está 'na primeira fase entre várias', diz premiê de Israel

Tropas terrestres estão prontas para atacar a região dominada pelo Hamas. Quatro dias de bombardeios já mataram ao menos 360 pessoas.

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A ofensiva militar aérea e marítima de Israel contra a Faixa de Gaza está apenas em sua "primeira fase entre várias" já aprovadas pelo gabinete de segurança, disse nesta terça-feira (30) o premiê israelense, Ehud Olmert. A declaração foi feita durante encontro com o presidente do país, Shimon Peres.

Ao mesmo tempo, a porta-voz militar Avital Leibovitz disse que as forças terrestres israelenses posicionadas ao longo da fronteira estão prontas para atuar contra o movimento islâmico Hamas, que controla a região palestina. Mas ele não precisou quando a ação vai começar.

O vice-ministro israelense da Defesa, Matan Vilnai, disse que Israel está pronto para "semanas de combate".

O ministro do Interior, Meir Sheetrit, voltou a rejeitar a possibilidade de trégua enquanto foguetes do Hamas continuarem atingindo o território do país.

Segundo balanço fornecido pelos serviços de emergência na Faixa de Gaza, os ataques aéreos israelenses, iniciados sábado, deixaram ao menos 360 mortos e 1.690 feridos. Os hospitais estão superlotados, e a situação humanitária é caótica, segundo a Cruz Vermelha Internacional.

Os pesados bombardeios Israelenses contra a região dominada pelo Hamas, iniciados no sábado, seguiram pela madrugada desta terça-feira, e os militantes islâmicos, por seu lado, não pararam de lançar foguetes contra o território israelense.

Duas irmãs palestinas de 4 e 11 anos morreram em um bombardeio israelense, informaram fontes médicas palestinas. Lama e Haya Hamdan faleceram quando um carro puxado por uma mula foi atingido em um ataque em Beit Hanun, norte do território.


Ataque terrestre iminente

Na segunda-feira, a área de fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza foi declarada "zona militar fechada" pelo Exército de Israel, informou um porta-voz militar israelense.

Com isso, as estradas de uma área distante entre 2 km e 4 km da fronteira ficam fechadas para os civis que não tenham salvo-condutos militares, e só moradores da região podem transitar por lá. Jornalistas também são banidos.

A justificativa é que militantes palestinos podem retaliar, lançando foguetes, os ataques israelenses ao território ocorridos desde sábado. Esse tipo de medida costuma prenunciar o lançamento de operações terrestres. O Exército de Israel concentra tropas na fronteira desde o início da ofensiva aérea.

Um ataque destruiu a casa de Maher Zaqout, um dos principais comandantes militares do Hamas, matando quatro membros de sua família e ferindo outros 20, segundo o Hamas. Zaqout não estava em casa no momento do ataque.

Outro ataque na cidade de Jabaliyah, na zona norte do território palestino, matou quatro meninas, com idades entre um e 12 anos, da mesma família, que morava perto de uma mesquita que foi alvo dos ataques.

Outros dois menores faleceram em uma ação em Rafah, sul da Faixa de Gaza. O sétimo morto era um ativista do Hamas.

Aviões israelenses bombardearam nos últimos dois dias a Universidade Islâmica de Gaza, um dos redutos do Hamas, sem deixar vítimas, disseram testemunhas. Aviões de guerra bombardearam a sede do Ministério do Interior em Gaza, segundo fonte palestina.

Na região de Khan Yunes, sul da Faixa de Gaza, um palestino morreu e dois ficaram feridos em um ataque aéreo contra um posto policial do Hamas.

Por outro lado, o lançamento de um foguete palestino matou um homem insraelense na cidade de Ashkelon, no sul de Israel, segundo autoridades locais. No sábado, uma mulher morreu e quatro pessoas ficaram feridas na queda de foguete sobre casa em Netivot.

Na Cisjordânia, um palestino feriu a facadas quatro israelenses no assentamento de Modin Illit.


'Guerra sem trégua'

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse ao Parlamento nesta segunda que Israel está comprometida em uma guerra "sem trégua" contra o Hamas na Faixa de Gaza.

Não temos nada contra os habitantes de Gaza, mas estamos comprometidos em uma guerra total contra o Hamas e seus aliados", declarou Ehud Barak.

"A contenção que temos observado é uma fonte de força. Lutamos com uma vantagem moral. Eles disparam contra civis deliberadamente. Nós encurralamos os terroristas e evitamos, na medida do possível, atingir civis quando a gente do Hamas atua e se esconde intencionalmente em meio à população", acrescentou.

Já o negociador chefe palestino, Ahmed Qurie, disse que o processo de paz patrocinado pelos EUA está suspenso por causa das ofensivas em Gaza. "Não há negociações e não há maneira de haver negociações enquanto estivermos sendo atacados", disse a jornalistas.

A operação "Chumbo endurecido" é a mais violenta pelo menos desde a ocupação israelense dos territórios palestinos, em 1967.

A tensão cresce na região desde o fim, em 19 de dezembro, da trégua de seis meses entre Israel e o Hamas na região. O frágil cessar-fogo foi rompido unilateralmente pelo Hamas. Nos dias seguintes, houve ataques com foguetes palestinos a Israel, seguidos de ameaças de reação israelense, até o ataque iniciado no dia 27.


Pressão internacional


A Casa Branca voltou a dizer na segunda-feira que o Hamas precisa parar de lançar foguetes contra Israel e concordar com um cessar-fogo "duradouro" com Israel.

Os EUA também se disseram preocupados com a situação humanitária na região e pediram que "todas as partes" envolvidas no conflito permitam a entrada de ajuda.

A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, conversou por telefone com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e outros líderes mundiais para restaurar o cessar-fogo na região, segundo o Departamento de Estado.

Na ONU, uma declaração não vinculante, sem o mesmo peso de uma resolução, pediu no sábado "o cessar imediato de toda violência" e, às duas partes, que "interrompam imediatamente todas as atividades militares".

O comunicado, um raro exemplo de unidade sobre o tema de Gaza, foi aprovado após cinco horas de consultas a portas fechadas, a pedido da Líbia, único membro árabe do Conselho, mas não menciona diretamente Israel, nem o Hamas.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, monitora a situação na Faixa de Gaza, informou uma porta-voz no Havaí, onde o futuro chefe de Estado americano passa as festas de fim de ano.

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