Entre os acordos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colega francês, Nicolas Sarkozy, vão fechar durante a visita do francês ao Brasil estão três relacionados à região da floresta amazônica.
Os tratados, que devem ser assinados na terça-feira, prevêem parcerias para a gestão e a exploração de forma sustentável da Amazônia, a criação de uma rede de estudos sobre a biodiversidade da floresta amazônica e a cooperação na luta contra o garimpo ilegal na região da Guiana Francesa.
“A Amazônia está desaparecendo, mas, para o governo brasileiro, nós não temos o direito de falar sobre isso. A Amazônia é algo que diz respeito a todos”, afirmou o conselheiro diplomático de Sarkozy, Jean-David Levitte, durante uma entrevista no Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa.
Lula e Sarkozy vão concluir também parcerias na área do ensino técnico e realizar acordos de cooperação no campo espacial, que prevêem, nesse caso, aplicações na agricultura e em pesquisas sobre as mudanças climáticas, afirmou Levitte.
“A parceria estratégia entre a França e o Brasil engloba inúmeras áreas de cooperação, seja no campo econômico, cultural, militar e civil. É uma grande operação. Não vamos concluir tudo em dezembro, durante a visita de Sarkozy, mas vamos lançar ou dar continuidade a grandes projetos”, disse Levitte.
Comércio
A França exportou 3,1 bilhões de euros para o Brasil nesse ano, o que representa, segundo dados até setembro de 2008, um aumento de 13% das vendas.
O saldo da balança, no entanto, é deficitário para a França em 700 milhões de euros, já que as exportações brasileiras para o país totalizam 3,8 bilhões de euros, segundo o conselheiro.
Sarkozy viaja ao Brasil acompanhado de cinco ministros e de um grupo de cerca de 30 empresários.
Durante sua visita, Sarkozy também lançará oficialmente, durante um show no Museu de Arte Moderna do Rio, o Ano da França no Brasil, que prevê cerca de 700 eventos em 14 cidades brasileiras.
A visita oficial de Sarkozy ao Brasil vai durar apenas dois dias, mas o líder francês deverá permanecer cerca de uma semana no País de férias.
Em cúpula, Sarkozy deve cobrar do Brasil redução de emissões
Sarkozy e o presidente Lula participam nesta segunda, no Rio de Janeiro, da 2ª Cúpula União Européia-Brasil. Na terça-feira, um novo encontro entre os dois líderes discutirá acordos específicos de cooperação entre a França e o Brasil em várias áreas.
“O Brasil precisa se mexer. Se quisermos chegar a um acordo internacional no próximo ano para lutar contra as mudanças climáticas, o Brasil precisa entrar nas negociações e aceitar definir números em relação à redução das emissões de CO2”, disse Jean-David Levitte, conselheiro diplomático do presidente Sarkozy, em uma entrevista no Palácio do Eliseu.
“O Brasil vai se tornar o quarto maior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa, e a União Européia gostaria que o Brasil anunciasse que ele vai se engajar, com credibilidade, na luta contra o aquecimento global”, afirmou.
Conselho de Segurança e economiaAlém da questão das emissões, há outros “assuntos sensíveis” na relação entre a União Européia e o Brasil que devem ser discutidos na Cúpula no Rio de Janeiro.
Jean-David Levitte disse que as duas partes têm divergências em relação à Rodada Doha para a liberalização do comércio mundial e também em relação à imigração. “Os brasileiros são negociadores temíveis”, afirmou.
Sarkozy, que preside a União Européia até o dia 31 de dezembro, prevê que o presidente Lula reivindique nos encontros o maior acesso dos produtos agrícolas brasileiros ao mercado europeu, um assunto “muito sensível para a França”, de acordo com o conselheiro diplomático francês.
Entre os outros assuntos que devem ser discutidos pelos dois líderes na reunião de Cúpula estão a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a crise financeira mundial, questões energéticas e de cooperação regional.
A França, como a Grã-Bretanha e a Alemanha, apóia a idéia de que Brasil obtenha uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Mas a Europa está dividida sobre o assunto. A Itália e a Espanha, que não são membros permanentes, se opõem à reforma do Conselho na forma que está sendo proposta, segundo Levitte.
“A Itália deve fazer um gesto a favor do Brasil, mas nada ainda está acertado”, afirmou Levitte.
A crise global também fará parte das conversas entre Lula e Sarkozy. Segundo o conselheiro, a União Européia gostaria de definir com o Brasil uma posição comum para ser apresentada na próxima reunião do G20 financeiro (que reúne os países ricos e os principais emergentes) em abril do próximo ano em Londres.
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