
Ingrid, que permaneceu seis anos em poder das Farc, chegou à Argentina na terça, no âmbito de uma viagem que começou pelo Equador e ainda a levará a Chile, Brasil, Peru, Bolívia e Venezuela. Ela agradeceu a governante por suas "corajosas" ações a favor de sua libertação e da de todos os seqüestrados pela guerrilha colombiana. "O que (Cristina) fez não foi por protocolo ou porque era politicamente correto. É claro que na Argentina, mais do que em outro país, entende-se o que os colombianos sofrem. Há uma dor compartilhada", disse a ex-refém na entrevista coletiva que concedeu após seu encontro com a presidente argentina.
Ao deixar o escritório de Cristina, a colombiana esbarrou com a cantora Madonna, que está em Buenos Aires para uma série de shows e que cumprimentou a franco-colombiana antes de seu encontro com a chefe de Estado da Argentina. A rainha da música pop chegou para o encontro vestida de preto e com vários seguranças, que impediram funcionários e empregados da Casa Rosada de tirarem fotos da artista. Madonna, que chegou ontem a Buenos Aires com seus três filhos e uma comitiva de 220 pessoas, aproveitou a visita para percorrer os salões da sede do governo argentino, onde, em 1999, rodou uma das cenas do musical "Evita".
A ex-refém das Farc disse que a reunião com Cristina, que começou com um forte abraço entre as duas, foi "de muito sentimento e emoção". "Devo muito ao povo argentino, ao ex-presidente (Néstor) Kirchner e à sua esposa (Cristina Fernández)", disse Ingrid, que disse que, no cativeiro, ouvia pelo rádio a voz da atual governante argentina.
A ex-refém também agradeceu Cristina por ter recebido sua mãe, Yolanda Pulecio, e destacou a participação da presidente na marcha pela libertação dos reféns das Farc realizada em Paris no mês de abril. "É um compromisso pessoal que me emociona e ao qual agradeço. Foi muito mais do que um gesto de apoio", disse a franco-colombiana.
Cristina foi uma das políticas sul-americanas mais engajadas no caso de Ingrid Betancourt, por cuja libertação chegou a pedir em seu primeiro discurso como presidente empossada, em 10 de dezembro de 2007. "Por isso, tenho um imenso carinho por esta mulher corajosa, que colocou a questão colombiana à frente de todos os presidentes latino-americanos", afirmou Ingrid.
Em mensagem aos que ainda permanecem em poder das Farc, a ex-candidata presidencial disse que eles têm em Cristina uma "madrinha", "uma mulher que vai continuar lutando pelos seqüestrados". "A Argentina nos adotou e o continente americano vai se movimentar por cada um de vocês. Esse amor irá tirá-los daí", declarou aos reféns, aos quais desejou um "feliz Natal".
Ingrid também agradeceu várias vezes os esforços do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), marido de Cristina, e que, no fim de 2007, liderou uma fracassada missão diplomática coordenada pela Cruz Vermelha Internacional para resgatar a franco-colombiana e mais um grupo de seqüestrados pela guerrilha. "Esse foi um ato muito generoso e valente da parte do ex-presidente. Sinto um imenso amor pela Argentina personalizado em Néstor e Cristina Kirchner", afirmou Betancourt.
A ex-refém disse que desde sua libertação tem "uma vida de felicidade" e que "a cada dia" vive "um maravilhoso milagre". Além disso, declarou que, nestes cinco meses que se passaram desde a sua libertação, recuperou sua saúde e tomou consciência de sua "fragilidade emocional". Na entrevista, Ingrid também revelou que falar do passado é algo que lhe "dói muito" e que no ano que vem vai se isolar por seis meses para escrever um livro.
A ex-candidata à Presidência da Colômbia disse ainda que o mundo "está melhor" desde que Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, que a "América Latina vai surpreender neste século" e que enxerga pela frente um "mundo marcado pela espiritualidade, e não pelo materialismo". "Eu gostaria de ver meu país como a Argentina. Estou orgulhosa da democracia que vocês conseguiram salvar", acrescentou.
Com a viagem que iniciou, Ingrid pretende agradecer os governantes da região pela contribuição que deram para sua libertação, ocorrida em julho, para criar uma "consciência internacional" sobre a necessidade de a Colômbia fechar um acordo humanitário com os guerrilheiros.
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