ITAJAÍ - Começou a funcionar nesta segunda-feira, 1º, um Hospital de Campanha (HCamp) da Força Aérea Brasileira (FAB), com um total de 85 atendimentos, sendo um caso suspeito de leptospirose. O número é abaixo da capacidade máxima, que é atender até 400 pessoas num dia. Porém, para os militares, é normal que isso ocorra no primeiro dia de operações.A unidade recebeu pacientes que vieram por conta própria e encaminhados por Postos de Saúde de cidades do Vale do Itajaí, castigado pelas enchentes da semana passada. A idéia do Hospital de Campanha é auxiliar as prefeituras no atendimento básico e emergencial.
A estimativa da secretária de saúde estadual, Carmen Zanotto, é de que o HCamp possa reduzir em até 60% os casos clínicos que acabam sobrecarregando as unidades de saúde municipais. São pacientes sentindo dores no corpo, febre, diarréia. Logo após uma calamidade, a procura pelos serviços públicos explode. E a preocupação médica é evitar que epidemias, como as da leptospirose, toxoplasmose e hepatatite, se espalhem rapidamente pela população. Milhares estão nos abrigos, dormindo muito perto uns dos outros.
Nesta segunda, 10 casos suspeitos de leptospirose foram notificados junto à Vigilância Epidemiológica do Estado. Esse número é desatualizado, porque as prefeituras levam um tempo para comunicar os dados à Secretaria de Saúde. Mas os pacientes com suspeitas de estarem com a doença, transmitida pelo contato com água contaminada por urina de ratos, devem procurar ajuda médica imediatamente.
Na estrutura montada a beira da BR-101 no trevo de Itajai-Ilhota, há 40 tendas onde atendem 37 profissionais da saúde, sendo 16 médicos. O ex-tenista Gustavo Kuerten, catarinense, visitou ontem o HCamp para prestar solidariedade e elogiar o trabalho dos militares. O governador Luiz Henrique (PMDB) também esteve presente. O hospital militar atua em situações de emergência, como a da dengue no Rio, em 2005, o acidente do avião da Gol, em 2006, e a greve dos médicos no Recife, neste ano.

Cerca de 12 mil trabalham no socorro às vítimas em SC
Um total de 11.987 profissionais e uma infra-estrutura de 2.449 equipamentos, entre helicópteros, aviões, máquinas e caminhões compõem o contingente humanitário e logístico em ação nas enchentes em Santa Catarina. A força tarefa conta com a maior parte de voluntários - cerca de 4 mil - que atua nos abrigos e principalmente na triagem das doações (vestuário, roupa de cama, alimentos e material de higiene e limpeza), seguido pelo contingente policial (2 mil) e agentes de saúde, que entre médicos e enfermeiros somam 1.500. Todos estão envolvimentos em três frentes de trabalho: assistência às vítimas, socorro e busca.
O desastre não parou. Acredito que este quadro de emergência e risco possa permanecer pelos próximos 10 dias", afirmou o Major Márcio Luiz Alves, diretor da Defesa Civil de Santa Catarina. Alves estima o envolvimento ainda maior de pessoas por considerar que outras milhares estão trabalhando voluntariamente em diversas regiões do Brasil, principalmente na captação de doações e na triagem dos donativos. Ele acrescenta que, embora muitas destas pessoas tenham qualificação para atuar em situações desta natureza, outras se mantém como alvo de preocupação.
"Não existe falta de pessoal. Nossa preocupação é quanto a participação destas pessoas nas áreas de risco. Não podemos abrir mão da segurança. Pela complexidade do desastre, a atuação tem que ser avaliada dia a dia", alerta o diretor. Os reforços não para de chegar em Santa Catarina. Na noite do último sábado, 29, desembarcaram no aeroporto de Navegantes equipes da Cruz Vermelha, bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, com mais quatro cães farejadores.
Juntamente com equipes do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e bombeiros voluntários locais, este grupo atua no sistema de comando de ocorrências em Ilhota. O objetivo é centralizar as informações para melhor atender as necessidades de cada município e região atingida pelos deslizamentos que é a maior causa das 116 mortes já registradas até agora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário