A TV mostrou vários prédios destruídos e a revolta da população, além de cadáveres com o uniforme do Hamas, que controla Gaza. O grupo islâmico já anunciou que resistirá "até a última gota de sangue", cujo alerta coincidiu com a primeira informação de Israel sobre o ataque, iniciado por volta das 11h30 locais (8h30 em Brasília).
O Ministério da Saúde da Autoridade Nacional Palestina (ANP), na Cisjordânia, lançou uma chamada para que a população doe sangue, que será transferido, junto com remédios e ambulâncias, às áreas atingidas.
Segundo o jornal israelense Haaretz, a maioria dos mortos é formada por militantes do Hamas. Ainda de acordo com a publicação, o ataque, realizado com 60 caças F-16, teria acertado 95% dos alvos.
Estes bombardeios aéreos são os mais intensos que Israel lançou contra Gaza nas últimas quatro décadas, e podem indicar a iminência de uma operação terrestre. Autoridades de segurança de Israel vêm mencionando essa possibilidade há alguns dias.
Pânico nas ruas
Alguns dos mísseis israelenses caíram sobre áreas densamente povoadas, provocando pânico pelas ruas. Entre as áreas atingidas, está o porto da Cidade de Gaza.
Crianças fugiram apavoradas com as explosões seguidas de fogo e nuvens pretas. Corpos de policiais palestinos foram alinhados em uma rua movimentada da cidade.
Como resposta, militantes do Hamas dispararam foguetes, matando uma civil israelense e ferindo quatro outras pessoas em Negev.
Pouco depois do ataque, o Egito abriu a passagem fronteiriça de Rafah para permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada de feridos.
Brasil critica "reação desproporcional" de Israel; veja repercussão
O Brasil criticou a "reação desproporcional" de Israel no bombardeio deste sábado contra a faixa de Gaza que deixou mais de 200 mortos e cerca de 700 feridos. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores pediu que Israel e o grupo radical islâmico Hamas parem com seus ataques e iniciem um diálogo.
"O governo brasileiro conclama as partes a se absterem de novos atos de violência e estende sua solidariedade aos familiares das vítimas dos bombardeios desta manhã." No comunicado, o governo brasileiro afirma ainda lamentar que a violência naquela região afete principalmente a população civil e prejudique esforços por uma solução negociada e pacífica para o conflito israelense-palestino.
Veja mais sobre a repercussão do ataque internacionalmente:
ONU
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu o fim dos confrontos e disse que está "profundamente alarmado com a violência pesada e o banho de sangue de hoje em Gaza", além da "continuidade da violência no sul de Israel". Ban reiterou pedidos anteriores para que "material humanitário seja permitido em Gaza".
Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu clemência ao Hamas para que não aumente a escalada de violência mas, em comunicado emitido pela Casa Branca, sua gestão chamou os radicais de terroristas.
"Os Estados Unidos pedem a Israel para evitar o ataque a civis em Gaza. A resposta dos ataque pelo Hamas só dará continuidade a violência. O Hamas deve colocar fim as suas atividades pelo futuro do povo palestino", disse o porta-voz do Conselho de Seguridade Nacional, Gordon Johndroe, no Texas, onde o presidente Bush descansa.
Europa
União Européia - O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, pediu um cessar-fogo imediato. Solana reivindicou, de ambas as partes, a máxima contenção.
Espanha - O ministro de Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, pediu o fim dos ataques a ambas as partes. Ele chamou os ataques de palestinos de "irresponsáveis" e a reação de Israel de "desproporcional". Ele disse estar em contato com as partes, com a UE e com outros atores da comunidade internacional para tentar propiciar um cessar-fogo.
França - O presidente Nicolas Sarkozy pediu a interrupção imediata dos ataques na região. Por meio de um comunicado, ele condenou as "provocações irresponsáveis [entre Israel e o Hamas]" e criticou o "uso desproporcional da força". Ele disse "não existir uma solução militar em Gaza" e pediu uma trégua duradoura entre palestinos e israelenses.
Reino Unido - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu a israelenses e palestinos para acabar com a violência e destacou que uma "paz duradoura" na região só será possível por "meios pacíficos". Brown pediu, por um lado, que os palestinos detenham ataques contra território israelense, e por outro, que Israel faça "todo o possível para evitar baixas civis".
Rússia - O governo russo pediu que Israel interrompa a "operação de grande envergadura" em Gaza e que o Hamas pare de lançar foguetes Qassam --de fabricação caseira-- contra o território israelense, para "romper o círculo vicioso da violência", informou o Ministério das Relações Exteriores russo.
Turquia - O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que a ação foi uma "falta de respeito" com esforços turcos pela paz. A Turquia é o aliado mais importante de Israel na região. "Não somos qualquer país. Somos um país trabalhando para que predomine a paz."
Liga Árabe
Arábia Saudita - O rei Abdullah entrou em contato com os presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, para "lançar uma iniciativa árabe e internacional destinada colocar fim nos ataques israelitas para salvar inocentes, mulheres e crianças".
Jordânia - O secretário-geral da Liga Árabe, Amer Musa, afirmou que a Jordânia pediu uma reunião extraordinária com o Ministério das Relações Exteriores para "examinar os atentados israelenses na faixa de Gaza".
Líbia - O ditador Muammar Gaddafi conversou com vários dirigentes árabes e disse que irá adotar uma "postura firme".
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