Venezuela elege governadores em votação crucial para Chávez

da France Presse, em Caracas

O presidente Hugo Chávez enfrenta neste domingo eleições para governadores e prefeitos que poderão definir o futuro de seu projeto socialista para a Venezuela, ao final de dois meses de uma tensa campanha.

Estão em jogo 22 Estados, 328 prefeituras e 233 cadeiras em Câmaras estaduais, além de conselhos metropolitanos e distritais.

Aproveitando sua elevada popularidade, Chávez transformou esta eleição em um referendo sobre seu governo, e percorreu o país apoiando seus candidatos e ameaçando a oposição.

"Está em jogo o futuro da revolução, o futuro do socialismo, o futuro da Venezuela, o futuro do governo revolucionário e também o futuro de Hugo Chávez", disse o presidente durante a campanha.

Oposição

A oposição vê estas eleições como uma oportunidade para recuperar terreno, após o referendo que rejeitou o projeto de reforma constitucional de Chávez, em 2007, que marcou a primeira derrota do chavismo em 10 anos.

Após anos dividida e sem a ação de seus principais representantes, a oposição conseguiu se unir e apresentar candidaturas para quase todos os governos e prefeituras importantes.

O chavismo também enfrentará amanhã, pela primeira vez, a concorrência de dissidentes, incluindo no Estado de Barinas, terra natal de Chávez.

Os institutos de pesquisa apontam que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de Chávez, conquistará a maioria dos cargos em disputa, mas um avanço significativo da oposição deve abalar o chavismo.

A oposição pode conquistar entre quatro e sete Estados, incluindo os mais povoados, como Zulia, Carabobo e Miranda.


Reeleição indefinida

Já uma vitória convincente do governo deve levar Chávez a retomar o projeto de reeleição indefinida do presidente, que foi derrubado no referendo de 2007.

Os colégios eleitorais abrirão suas portas a partir das 06H00 local (08H30 Brasília) e funcionarão até às 16H00 (18H30), na primeira votação 100% automatizada da história da Venezuela.

O índice médio de abstenção nas eleições regionais da Venezuela gira em torno de 50%, mas a votação deste domingo deve ter a presença de 55% dos eleitores, segundo os institutos de pesquisa.

Apesar das previsões, as fortes chuvas que atingem a Venezuela podem reduzir a participação dos quase 17 milhões de eleitores convocados.

Eleições deste domingo podem alterar o mapa político da Venezuela


Cerca de 17 milhões de cidadãos da Venezuela estão aptos a votar neste domingo (23) para escolher autoridades municipais e regionais para um mandato de quatro anos, em eleições que podem alterar o mapa político do país.

A pouca importância que habitualmente esse tipo de pleito tem deu espaço a uma incomum expectativa, impulsionada também pelo presidente Hugo Chávez, que chegou a afirmar durante a campanha que uma vitória da oposição propiciaria um clima de violência no país.

Estão habilitados 11.500 centros de votação, que definirão a escolha de 22 governadores e 328 prefeitos, além de 233 legisladores regionais, para um total de 603 cargos de representação popular, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

A maioria das pesquisas prevêem uma mudança no mapa político venezuelano, no qual o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), criado no ano passado por Chávez, não deverá atingir a soma de 20 estados conquistados no pleito de 2004.

A partir de dezembro de 2006, as pressões de Chávez para que todos os seus simpatizantes aderissem ao PSUV gerou dissidências que foram responsáveis pela perda de cinco Estados (Aragua, Carabobo, Guárico, Sucre e Trujillo), além dos dois que já estavam nas mãos da oposição, Nueva Esparta e Zulia.

Analistas locais prevêem que esse novo cenário político será ratificado no pleito de amanhã, embora sempre com a possibilidade de que ocorram mudanças pontuais imprevistas. Autoridades militares serão as encarregadas de garantir a segurança da votação, com mobilização de 140 mil soldados e reservistas que vigiarão os centros eleitorais. Os votantes não poderão levar armas e a venda pública de bebidas alcoólicas estará proibida.

Já que a infra-estrutura eleitoral funciona com eletricidade, as Forças Armadas também vigiarão as usinas geradoras de energia, para evitar possíveis blecautes como os ocorridos recentemente, ou mesmo atos de sabotagem. Mais de 95% dos centros de votação contarão com máquinas automatizadas de voto, cuja confiabilidade, precisão e transparência foram verificadas repetidas vezes por observadores e instituições internacionais.

Governo e oposição dão grande importância à "logística" usada para fazer com que a grande maioria de seus seguidores compareçam às urnas. No caso do PSUV, por exemplo, as bases do partido estão organizadas, seguindo um padrão militar, em milhares de patrulhas.

Esse apoio envolve meios de transporte que busquem as pessoas nas casas, forneçam refrigerantes, cuidados pessoais e primeiros socorros.

Em alguns municípios da capital venezuelana, os eleitores terão de preencher até nove quadradinhos. Diante desse quadro, os partidos dotaram seus eleitores de "guias" que poderão ser copiados de forma automática na hora de preencherem as cédulas de votação.

O CNE liberou o uso dessas pequenas colas porque agilizarão o processo de votação, sem violar os direitos do eleitor.

Cerca de 130 convidados internacionais, pertencentes a instâncias como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e outras de cunho eleitoral, principalmente da América Latina, atuarão como observadores no pleito, ainda de acordo com o CNE.

A maioria das pesquisas aponta que a participação popular nas eleições poderia chegar a 60%. O CNE deve emitir o primeiro resultado parcial da apuração poucas horas depois do fechamento dos centros de votação. Chávez advertiu que fechará os meios de comunicação audiovisuais que, violando a lei, emitirem resultados próprios antes de o órgão eleitoral divulgar os números oficiais.

Atualização

CARACAS - Desde as primeiras horas do dia, os venezuelanos participam em massa das eleições regionais no país, neste domingo, 23. Durante a campanha, forças políticas, sociais religiosas do país, pró e contra o governo do presidente Hugo Chávez, pediram que o eleitorado fosse às urnas. O processo se desenvolve sem incidentes e com atrasos minoritários na abertura dos centros de votação. Serão escolhidos governadores de 22 estados, além de 300 prefeitos e maisde 200 legisladores locais.

Nas primeiras horas de votação, e inclusive antes da abertura dos centros eleitorais, às 6h (8h30 de Brasília), milhares de eleitores faziam fila diante de suas mesas de votação, afirmam os meios de comunicação. Cerca de três horas antes - 3h da manhã no horário de Caracas - começaram a ser lançados fogos de artifício, principalmente nos bairros populares, para acordar as pessoas e incentivá-las a ir aos centros de votação.

O barulho foi complementado por equipamentos de megafonia instalados em caminhonetes que percorreram as ruas desses bairros, embora, a essa hora, milhares de eleitores já faziam fila em frente às mesas de votação, à espera do começo do processo, segundo imagens mostradas pela televisão.

Cerca de 17 milhões de venezuelanos foram convocados para escolher 603 cargos que atualmente estão ocupados, majoritariamente, por autoridades ligadas ao governo do presidente Hugo Chávez. Nas últimas eleições regionais, em 2004, o chavismo conquistou 20 dos 22 Estados.

A abstenção nas mesmas eleições há quatro anos atrás foi de 54,6% e seus candidatos ganharam com o voto de 24,5% do total de pessoas convocadas, o que subiu para 57,3% na contabilidade de votos emitidos.

Sandra Oblitas, uma das cinco principais autoridades do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), atribuiu a previsão de uma maior ida às urnas a que "as pessoas assumiram de maneira mais responsável a dimensão da importância da participação política", apesar do voto na Venezuela não ser obrigatório.

"Nestas eleições, teremos uma quantidade grande de eleitores, pois o povo venezuelano está consciente do momento político que vive o país", acrescentou Oblitas, mas sem detalhar em quanto estimava que seria a participação eleitoral.

Se o partido de Chávez obtiver vitórias significativas - opção menos provável, segundo analistas, mas que deve ser seriamente considerada -, o presidente diz que pretende "aprofundar" a sua revolução bolivariana. Alguns de seus aliados indicam que Chávez até poderia relançar, na forma de emenda constitucional, a proposta que lhe permitiria ser reeleito indefinidamente, rejeitada em referendo no ano passado por 50,6% dos venezuelanos.

Até a semana passada (quando o governo venezuelano proibiu a sua divulgação), as pesquisas favoreciam o primeiro cenário. De acordo com o instituto Hinterlaces, por exemplo, a oposição, que em 2004 venceu em apenas dois Estados, teria boas chances de conquistar de seis a oito governos estaduais. Dissidentes (ex-chavistas que se recusaram a ingressar no Partido Socialista Unidos da Venezuela, PSUV) poderiam ganhar em outros dois. E o restante - de 10 a 12 Estados - permaneceria com o PSUV, do presidente.

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