da Agência Lusa, em Berlim
A Opel, subsidiária européia da General Motors, pediu ajuda a Ângela Merkel para superar a atual crise, publicou nesta segunda-feira o jornal "Frankfurter Allgemeine", informação confirmada pela chancelaria alemã. O programa de ajuda solicitado pela Opel chega a 40 bilhões de euros (US$ 51 bilhões), disse o jornal.
A Opel propôs também um programa de prêmios, que incentive a entrega para reciclagem de carros velhos, além de empréstimos a juros baixos para a compra de carros novos.
A ajuda foi solicitada em carta assinada por Carl-Peter Forster, presidente da General Motors Europa, pelo gerente da Hans Demant, e pelo presidente da federação das comissões de trabalhadores da empresa, Klaus Franz.
Um porta-voz do governo alemão já confirmou a entrada da carta e disse que o pedido "será examinado em detalhes".
Segundo a fonte governamental, o programa que o executivo aprovou na semana passada para estimular a conjuntura inclui medidas para o setor automobilístico, como a abolição temporária de imposto de circulação para compradores de novos veículos.
A Opel suspendeu a produção nas fábricas na Alemanha durante duas semanas, devido ao recuo na demanda, a exemplo do que fizeram praticamente todos os fabricantes de carros alemães, depois do início da crise financeira internacional.
A imprensa alemã diz também que a Opel está preparando um programa de demissões voluntárias e mais intervalos na produção.
A edição alemã do jornal "Financial Times" publicou também que a General Motors exigiu à Opel que poupe 750 milhões de euros (US$ 957 milhões) em 2009, depois de prejuízos operacionais de 974 milhões de euros (US$ 1,2 bilhão) da subsidiária no trimestre anterior.
EUA
Na última sexta-feira (7), o grupo GM anunciou prejuízo de US$ 2,5 bilhões durante o terceiro trimestre do ano e baixa de US$ 6,9 bilhões em seu caixa diante da rápida "piora das condições do mercado nos Estados Unidos". O ritmo de gasto do dinheiro do caixa da General Motors significa que a empresa conta com "o valor mínimo necessário para operar" até o final do ano.
Diante de tal situação, a empresa informou que melhorar a posição de caixa continua sendo uma de suas principais prioridades para não quebrar. E destacou que a ajuda governamental é essencial devido ao enfraquecimento da economia e à crise de crédito.
Os resultados da companhia durante o terceiro trimestre refletem as fortes perdas na América do Norte e em menor medida na Europa. Na América do Norte, a GM teve perda de US$ 2,3 bilhões no período em seu faturamento ajustado antes de impostos.
Já na Europa, a empresa perdeu US$ 974 milhões em sua receita ajustada antes de impostos, após suas vendas terem caído 15%.
Apenas na América Latina, na África e no Oriente Médio a GM teve bons resultados. Nessa região, a empresa faturou US$ 514 milhões e aumentou em US$ 140 milhões os resultados do mesmo período de 2007.
Governo de SP anuncia crédito de R$ 4 bilhões para financiamento de veículos
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), anunciou nesta terça-feira (11) a abertura de uma linha de crédito do banco estadual Nossa Caixa no valor R$ 4 bilhões para os bancos para que eles concedam crédito a pessoas interessadas em comprar veículos. O socorro estadual soma-se à linha de crédito de mesmo valor aberta na semana passada pelo Banco do Brasil.
As instituições que tomarem crédito junto à Nossa Caixa terão 18 meses para devolver o valor. Os financiamentos serão tomados diretamente pelos bancos e financeiras por meio de depósitos interfinanceiros.
De acordo com o governador José Serra, o dinheiro já está disponível e pode ser utilizado assim que as financeiras se manifestarem. O consumidor que tomar crédito vai encontrar juros e prazos de mercado, negociados na hora da compra.
O convênio tem como objetivo colocar dinheiro no mercado para facilitar a compra de veículos e garantir a manutenção da produção e do nível de emprego.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, comemorou a decisão. De acordo com ele, o mercado automobilístico enfrenta dificuldade de liquidez e de crédito desde outubro. Mas, segundo ele, houve “resposta rápida” do governo federal, por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, e agora do governo estadual, por meio da Nossa Caixa.
“Nós vendemos quase 70% através do crédito. O crédito movimenta o nosso mercado e a nossa força de trabalho”, disse.
Mantega
Convidado por Serra a participar do encontro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a indústria automobilística brasileira deve perder parte de seu ritmo de crescimento exuberante dos últimos anos, mas apesar da crise, manterá seu lugar como 6º maior produtora mundial de veículos.
"Claro que as coisas não serão exatamente como antes de a crise acontecer. Nosso crescimento será um pouco menor. Porém não há necessidade de interrupção de investimentos. Poderemos manter aquilo que conquistamos, que é pelo menos esse patamar de venda de 3 milhões de veículos", afirmou.
Segundo o ministro, o Brasil conseguiu reunir condições de enfrentar os efeitos da crise por meio de medidas como a anunciada pelo governo paulista, para evitar que a crise se instale no país.
"A solidez econômica e financeira nos dá condições de dar continuidade ao processo de crescimento sustentável", disse Mantega. "Vários setores produtivos brasileiros estavam, ou melhor, estão, em plena expansão", disse o ministro. "E não há razão para que haja interrupção desse crescimento."
Página oficial da ANFAVEA
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