O Federal Reserve (Fed, o BC americano) aprovou a conversão da gigante americana do setor de cartões de crédito American Express (AmEx) em um banco comercial. Com isso, a empresa poderá se beneficiar dos programas de financiamento de baixo custo da autoridade monetária. No Brasil, o Bradesco coordena as operações da AmEx.
O diário americano "The New York Times" ("NYT") informou que, ao menos nos EUA, a mudança na AmEx não deve alterar a relação com seus clientes.
Segundo o "NYT", o anúncio "pode representar o fim das empresas financeiras que operam em uma única linha de negócios e são dependentes dos mercados financeiros para obter financiamento".
"Dada a volatilidade contínua nos mercados financeiros, queremos estar mais bem posicionados para tirar vantagem dos diversos programas que o governo federal introduziu ou pode introduzir para dar apoio às instituições financeiras americanas", disse o presidente e executivo-chefe da AmEx, Kenneth Chenault, em um comunicado.
O Fed, por sua vez, informou em um comunicado que, "à luz das circunstâncias exigentes e pouco comuns que afetam os mercados financeiros, e todos os outros fatores e circunstâncias, a diretoria [do Fed] determinou que existem condições de emergência que justifiquem uma ação rápida".
A preocupação nos mercados mundiais de uma recessão global --e, em nível mais local, o temor de uma recessão prolongada nos EUA elevou as incertezas sobre a situação financeira da AmEx, embora suas duas divisões bancárias já contassem com acesso ao instrumento do Fed chamado "discount window" (programa de emergência para bancos comerciais e outras instituições depositárias), segundo o diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ").
"Todos agora querem ser banco porque todos querem acesso aos fundos do governo", disse o analista Craig Maurer, da Calyon Securities (ligada ao Credit Agricole), ao "WSJ".
Ao tomar essa medida, os dois bancos de investimento adquiriram a capacidade de tomar emprestado o dinheiro do Fed, e, além disso, construir uma carteira de depósitos de clientes, com a idéia de equilibrar seus balanços, afetados pela crise financeira.
A American Express segue, assim, os mesmos passos dos bancos de investimento Goldman Sachs e Morgan Stanley em setembro. Os dois bancos obtiveram a autorização depois de uma consulta do Fed ao Departamento de Justiça, para a supressão do período de espera. Com a mudança, as duas instituições podem criar bancos comerciais, que poderão tomar depósitos, amparando os recursos de ambas instituições, e terem o mesmo acesso que outros bancos comerciais aos planos de empréstimo da emergência do Fed.
A American Express seguiu os mesmos passos, depois que em outubro reportou uma queda em seu lucro trimestral de 24% devido ao menor uso dos cartões e às maiores dificuldades de seus clientes para devolver o crédito.
Essa situação fez com que a empresa enfrentasse dificuldades para colocar sua dívida no mercado e, portanto, para obter financiamento.
Chenault disse que a conversão da operadora de cartões de crédito em um banco não trará mudanças fundamentais no "foco no setor de pagamentos", o que seria um sinal de que a AmEx não está interessada em adquirir algum grande banco comercial, segundo o "WSJ". O processo de conversão efetuado pela AmEx costuma levar meses, destaca o jornal.
AIG
Ontem, o Departamento do Tesouro e o Fed anunciaram que empregarão US$ 40 bilhões adicionais para a aquisição de ações preferenciais na AIG, maior seguradora do mundo. O processo de estatização da AIG começou com US$ 85 bilhões em setembro, e subiu para US$ 123 bilhões em outubro.
A ajuda do governo à AIG no novo plano consiste em um empréstimo de US$ 60 bilhões, investimento de US$ 40 bilhões em ações preferenciais e US$ 50 bilhões em capital, que será usado principalmente para a aquisição de ativos problemáticos, que serão colocados em duas instituições financeiras separadas.
Os novos US$ 40 bilhões virão da ajuda financeira que o Congresso aprovou e que o presidente Bush promulgou no início de outubro, e que chega a US$ 700 bilhões.
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