Forças indianas retomam controle de Mumbai


Taj Mahal & Tower, em Mumbai,Índia.


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A série de ataques realizados por extremistas islâmicos em Mumbai (Índia) deixou 195 mortos e 295 feridos, anunciou neste sábado o Departamento de Gestão de Catástrofes da cidade. A polícia anunciou o fim das operações depois que os três últimos terroristas que ainda estavam entrincheirados no hotel de luxo Taj Mahal foram mortos durante a madrugada.


Bombeiro aguarda para entrar no hotel de luxo Taj Mahal, em Mumbai (Índia), após fim do confronto entre terroristas e policiais

A operação terminou mais de dois dias depois do início da série de ataques coordenados realizados na cidade, que é a capital financeira da Índia. "Três terroristas foram mortos mas ainda vamos continuar com as operações", disse o diretor-geral da NSG (Guarda da Segurança Nacional, na sigla em inglês), J. K. Dutt, segundo o site do jornal indiano "Times of India".

"Todas as operações acabaram. Todos os terroristas foram mortos", disse, por sua vez, o general Hassan Gafoor.

Segundo o diretor do departamento, R. Jadhav, outras 300 pessoas ficaram feridas nos confrontos entre a polícia e os extremistas. Após a declaração oficial das mortes dos insurgentes, a polícia realizou uma varredura nos quartos do hotel em busca de algum terrorista que pudesse ter se escondido ou de explosivos. Na busca, os policiais recuperaram um rifle AK-47.

Diversas explosões foram ouvidas no hotel, de 105 anos, durante toda a madrugada (horário local), assim como o tiroteio entre os terroristas e as forças policiais.

O ataque contra Mumbai começou na quarta-feira (26), quando um número ainda indeterminado de terroristas avançou contra os mais luxuosos hotéis de Mumbai --Taj Mahal e Trident-Oberoi--, uma estação de trem e o restaurante Café Leopold, freqüentado por turistas, entre outros pontos.

Nesta sexta-feira (28), as tropas indianas tomaram o controle do hotel Oberoi e invadiram o centro judaico Chabad Lubavitch. Ambos os locais eram usados pelos criminosos para manter reféns após o massacre

Infiltrados

Fontes dos serviços de inteligência da Índia ouvidas pela agência de notícias France Presse disseram que oito dos extremistas que lançaram a onda de ataques coordenados já estavam infiltrados na cidade há um mês. Eles passaram esse período fazendo-se disfarçados como estudantes; segundo as fontes, eles realizaram missões de reconhecimento para preparar os ataques. Os oito alugaram uma casa apresentando-se como estudantes malaios, destacou uma das fontes. Outros militantes também teriam estocado armas e munições, inclusive dentro de um dos hotéis de luxo atacados.

De acordo com a France Presse, uma segunda equipe, que teria chegado de barco a Mumbai, se juntou ao primeiro grupo na noite de quarta-feira, pouco tempo antes dos ataques.

Os extremistas estavam em ótima forma física, com idades de 24 a 30 anos, e muito bem treinados à tática militar, diz a France Presse; para se alimentar, eles tinham estocado frutas secas e amêndoas, destacaram as fontes ouvidas pela agência.

Não houve confirmação, no entanto, por parte das fontes ouvidas, se os terroristas eram paquistaneses ou se haviam sido treinados no Paquistão. O grupo por trás dos ataques tem sua base fora da Índia, disse na quinta-feira (27) o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh. A declaração foi entendida como uma acusação contra o governo do Paquistão: os dois países estão envolvidos em uma luta histórica pela região da Caxemira.

Nesta sexta-feira (28), o ministro indiano das Relações Exteriores, Pranab Mukherjee, foi mais direto e responsabilizou elementos do Paquistão pelos ataques. O governo paquistanês informou não estar envolvido de nenhuma forma nos atentados e cancelou a ida à Índia do chefe de seus serviços de inteligência para ajudar nas investigações. Segundo um comunicado, o Paquistão enviará um simples representante a Mumbai.


Grupo suspeito

O grupo criminoso Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia) se responsabilizou pelos atentados. Segundo a revista britânica "The Economist", os criminosos enviaram um e-mail em setembro para agências de notícias indianas ameaçando atacar a cidade. A revista informou ainda que a mensagem foi enviada para "avisar todas as pessoas de Mumbai sobre a possibilidade de acontecer ataques no futuro e que a responsabilidade ficaria com os policiais".

"O grupo que cometeu os ataques é indiano e não está vinculado a nenhum Estado. Os terroristas estimam que as minorias muçulmanas foram destratadas e sofreram muito na história da Índia e hoje buscam meios de vingar o que consideram injustiças', disse à Folha o cingalês Rohan Gunaratna, pesquisador do Centro para o Estudo de Terrorismo da Universidade de St. Andrews (Escócia).

Ele descartou relação profunda do grupo com a rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden. "Até podem ter se inspirado na Al Qaeda, principalmente no modo operacional. Atacar alvos ocidentais icônicos para causar mortes em massa é marca registrada da Al Qaeda. Mas acho que o vínculo não vai além disso", afirmou.

Relações turbulentas

Tanto índia como Paquistão são ex-colônias britânicas. Em 1947, ambos conseguiram independência. Os ingleses repartiram a região de acordo com a religião das maiorias. Assim surgiu a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana.

A disputa entre os dois países é pela região da Caxemira, causa de duas das três guerras (1948-1949, 1965 e 1971) já travadas entre Índia e Paquistão desde 1947 --ano em que se tornaram independentes do Reino Unido.

A Caxemira é uma região montanhosa ao norte dos dois países. Grande parte da população da região é muçulmana e quer a anexação ao Paquistão, que a Índia nega.


Vítimas da tragédia

Nos confrontos em Mumbai um britânico, americanos, israelenses --incluindo um rabino do templo judaico-- japoneses e paquistaneses foram contabilizados entre os estrangeiros mortos.

As forças de segurança do país não descartam que o número de vítimas aumente nas próximas horas, quando será realizada a contagem exata e a identificação de todos os mortos. Nenhum brasileiro morreu nos atentados. O consulado do Brasil em Mumbai informou que há cerca de 20 brasileiros vivendo na cidade, além aproximadamente outros 20 que a visitam com freqüência.

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