
A direção do partido ultra-ortodoxo israelense Shas anunciou nesta sexta-feira que não aceita as condições impostas por Tzipi Livni para participar de seu governo, comprometendo assim a formação do novo governo de Israel. Eles divergiram sobre dois assuntos: o status de Jerusalém e benefícios sociais para os mais pobres.
"O Shas pediu apenas duas coisas... uma ajuda financeira real para os [economicamente] fracos na sociedade israelense e proteção para Jerusalém... que não está à venda", informou o porta-voz do partido, Roy Lachmanovich, em um comunicado, para justificar a decisão de interromper as negociações políticas e ficar de fora da coalizão governamental.
A decisão foi tomada pelo líder espiritual do Shas, o rabino Ovadia Yossef, 87, após consultar o Conselho de Sábios da Torah, a instância suprema do partido, informaram fontes do Shas.
Nesta quinta-feira (23), Livni, líder do partido governista Kadima, deu um ultimato aos aliados potenciais, entre eles o Shas, ao estabelecer domingo (26) como prazo final para formar o governo de coalizão. Caso contrário, o país deve realizar eleições antecipadas no início de 2009.
O plano inicial de Livni era repetir a atual coalizão, que levou ao poder seu antecessor e atual primeiro-ministro, Ehud Olmert: 29 deputados do Kadima, 19 do Partido Trabalhista, 12 do ultra-ortodoxo Shas e quatro do Partido dos Aposentados, ou seja, 64 das 120 cadeiras do Parlamento (Knesset).
Embora eleita em setembro à direção do Kadima, Livni não tinha garantias de ser empossada pelo Parlamento, devido à fraqueza da coalizão atual e das profundas divisões na Câmara. Nas primárias do Kadima, Livni derrotou, com certa dificuldade, o ministro dos Transportes Shaul Mofaz. Ela venceu com 43,1% contra 42%.
O atual primeiro-ministro Ehud Olmert, envolvido em escândalos de corrupção --as duas maiores investigações contra ele envolvem suspeitas de recebimento de propina de um empresário americano e desvio de verba de viagens oficiais--, anunciou no dia 30 de julho que não concorreria às primárias do partido e que renunciaria após a votação. Em setembro, após a eleição interna, ele renunciou. No entanto, continuará liderando um governo de transição até a formação de um novo gabinete ou a realização de eleições.
Oficialmente, Livni tem até o dia 3 de novembro para formar o novo governo, mas ela anunciou ontem que até domingo falaria com o presidente Shimon Perez sobre a necessiadade ou não de se convocar eleições antecipadas. Se Livni não conseguir formar o governo, uma eleição parlamentar deverá ser organizada dentro de 90 dias.
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