GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O governo federal estuda permitir ao Banco do Brasil atuar sobre o setor de financiamento automotivo para evitar que os impactos da crise econômica internacional atinjam as montadoras de veículos.
Segundo o governador Aécio Neves (PSDB-MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro nesta quinta-feira sua disposição em permitir que o Banco do Brasil atue adquirindo financeiras do setor automotivo. Aécio disse que a disposição de Lula é autorizar o banco a firmar parcerias com as montadoras, financiá-las ou mesmo adquirir financeiras.
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"Ele [Lula] me disse que o Banco do Brasil entrará no segmento, eventualmente até adquirindo financeira. É preciso que o Banco do Brasil tenha mais 'know-how' em relação a esse setor. Haverá um medida específica do governo em relação ao setor automotivo, que teve um crescimento muito grande nos últimos anos e em função disso pode ser um dos que tenha a maior queda", afirmou Aécio após reunir-se com Lula no Palácio do Planalto.
"O banco poderá atuar no financiamento de automóveis diretamente, em parceria com as montadoras, financiando as montadoras ou adquirindo as financeiras", detalhou o governador.
Segundo ele, Lula avalia que as medidas adotadas pelas montadoras para garantir crédito aos clientes podem ser insuficientes para enfrentar a crise --por isso estaria disposto a permitir que o Banco do Brasil entre o setor.
"Hoje, o que sustenta o setor é o financiamento direto que as montadoras têm feito a seus clientes, mas não tem sido suficiente, e o presidente acha que o Banco do Brasil pode operar de forma complementar atuando. Essa é uma possibilidade concreta, adquirindo uma financeira que possa atuar exclusivamente no setor automotivo", disse Aécio.
Crise
Na conversa com Aécio, o presidente justificou a edição de medida provisória que permite ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal comprar bancos e empresas com dificuldades ao afirmar que "não teria sentido" editá-las depois que instituições financeiras quebrassem. "O presidente acha que não tem sentido assinar medida provisória depois de assistir à quebra de instituições financeiras", afirmou Aécio.
Embora a oposição tenha criticado a edição da MP, o governador tucano disse ser favorável à tomada de decisões que reduzam as chances da crise atingir o país. "Acho que nessa hora algo que está acima de partido, situação ou oposição, é o país. O PSDB tem uma enorme responsabilidade com o Brasil, governamos por oito anos e enfrentamos várias crises. A nossa responsabilidade está adiante em nosso partido."
O governador disse que Lula se mostrou preocupado com a crise econômica, mas reiterou sua confiança de que as medidas adotadas pelo governo federal serão suficientes para conter seus impactos no Brasil. Lula afirmou na conversa com Aécio, segundo o governador, que a crise é um "tempo de oportunidades". "Ele disse que, na crise, o efeito psicológico é importante."
Aécio disse não acreditar na necessidade de novas medidas do governo para enfrentar a crise, embora a intenção de Lula seja fortalecer ainda mais as instituições públicas.
"O que senti é o presidente preocupado com a gravidade da crise, disposto a tomar medidas ousadas para reverter o clima de pessimismo. O crédito é a medida central no país. Ele registrou como positivo a Vale do Rio Doce manter seus investimentos."
No encontro com o governador, Lula assegurou que não pretende reduzir os investimentos do governo federal nos Estados em meio à crise. Segundo Aécio, Lula se comprometeu em avisar antecipadamente os governadores caso haja a necessidade de redução dos investimentos estaduais. "O presidente garantiu que o BNDES será importante para manter o mínimo de investimentos necessários", disse.
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