da France Presse
Os empréstimos bancários entre países caíram em US$ 1,1 trilhão no segundo trimestre de 2008, maior queda em dez anos, anunciou nesta quinta-feira o BIS (Banco para Compensações Internacionais, na sigla em inglês, o banco central dos bancos centrais).
"No segundo trimestre de 2008, os bancos que formam o BIS indicaram de que seus empréstimos internacionais caíram de US$ 1,1 trilhão a US$ 39,1 trilhões, com taxas de câmbio constantes, de 3%", informou a instituição em seu relatório trimestral.
Os bancos também foram atingidos por saques de US$ 1 trilhão, em particular os registrados nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Suíça --as retiradas nesses países chegaram a US$ 633 bilhões e 184 bilhões de libras.
Assustados com o colapso de instituições financeiras como o Lehman Brothers, no dia 15 de setembro, os bancos ficaram reticentes a se emprestar mutuamente, o que gerou um congelamento do sistema mundial de crédito.
Os bancos centrais tiveram que intervir, deixando somas elevadas de dinheiro à disposição dos bancos para impedir que o setor desabe. Nesta semana, o BCE (Banco Central Europeu) realizou um leilão de mais de US$ 500 bilhões no sistema bancário para viabilizar operações entre os bancos.
As últimas estatísticas do BIS revelam a amplitude do problema, ao indicar que durante esse período, os empréstimos internacionais interbancários caíram 3% (ou US$ 300 bilhões).
Não só caíram os empréstimos interbancários, como também os empréstimos a indivíduos. "Os bancos privados da zona euro, do Reino Unido e dos Estados Unidos tomaram a iniciativa de reduzir empréstimos internacionais a moradores de países desenvolvidos em US$ 848 bilhões, ou 4%", indicou o BIS.
Com a desconfiança entre os bancos, as taxas de juros interbancárias, como a Libor ("London Interbank Offered Rate") e a Euribor ("European Interbank Offered Rate") atingiram níveis altos demais, o que resultou no congelamento do crédito. Nos últimos dias, no entanto, essas taxas têm registrado queda, o que foi visto como sinal de que o crédito pode voltar a fluir nos mercados mundiais antes do esperado.
A Libor é a referência para cobrança de juros por empréstimos que as maiores instituições bancárias fazem entre si. Por isso, ela é utilizada como base para que os bancos calculem os juros que cobram em outros empréstimos. A Euribor, por sua vez, foi introduzida depois da criação do euro, em 1999.
Mesmo assim, essas taxas, que ainda estão perto dos 4%, estão muito altas em relação à do Federal Reserve (Fed, o BC americano), por exemplo, que está hoje em 1,5%. A taxa do BCE, por sua vez, está em 3,75%, mas a perspectiva é de que a autoridade monetária da zona do euro venha a reduzir ainda mais os juros --o que fez o euro registrar ontem seu menor valor em relação ao dólar desde novembro de 2006, US$ 1,2737.
Valor de mercado
Levantamento feito pela consultoria americana BCG (Boston Consulting Group) e divulgado neste mês mostrou que o valor de mercado do setor bancário no mundo todo caiu de US$ 8,3 trilhões no fim de 2007 para US$ 5,7 trilhões no fim do terceiro trimestre deste ano --uma redução de US$ 2,6 trilhões. A queda reflete os efeitos da crise financeira iniciada no ano passado, com os problemas causados pelo mercado de hipotecas "subprime" (de maior risco) nos EUA.
"A crise eliminou quase três anos de crescimento no valor de mercado. O valor do setor bancário agora está perto de onde estava no fim de 2004", disse o co-autor do estudo, Lars-Uwe Luther. "O declínio começou em 2007. Na segunda metade daquele ano, quando a crise começou a se intensificar, os bancos perderam US$ 269 bilhões em valor de mercado. No total, os bancos perderam quase US$ 3 trilhões em valor de mercado desde meados de 2007."
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