da Folha Online
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desabou 10,03%, o que acionou o mecanismo do "circuit breaker", que interrompe o pregão por meia hora. O temor de uma recessão global, e seus reflexos nos balanços corporativos, leva a uma nova jornada de nervosismo extremo nos mercados financeiros. A Bolsa informou que o pregão retorna às 17h48 e será estendido até as 18h18.
Trata-se da sexta vez que o pregão é interrompido desde o final de setembro. No retorno das operações, o "circuit breaker" somente será acionado novamente quando o Ibovespa ficar 15% abaixo da pontuação de fechamento de ontem. Caso essa oscilação ocorra, o pregão será interrompido por uma hora.
Em um dia de disparada das taxas, o Banco Central já interviu por três vezes no mercado de câmbio. Pela manhã, perto do meio dia, a autoridade monetária realizou um leilão de venda de dólares, com queima de reservas. Nessa operação, o BC não informa o volume financeiro movimentado, mas tão somente a taxa pela qual aceitou vender moeda: R$ 2,3560 (a taxa de corte).
Pouco mais tarde, a instituição realizou o leilão de "swap" cambial programado desde ontem. O BC ofereceu 10 mil contratos de "swap", que vencem em dezembro, mas o mercado somente tomou 4.330 contratos. Menos de uma hora depois, às 13h30, o BC voltou à carga, oferecendo outros 6 mil contratos de "swap" cambial.
As Bolsas européias encerraram os negócios com fortes baixas, a exemplo de Londres (queda de 4,46%) e Frankfurt (retração de 4,45%). No epicentro da crise, a Bolsa de Nova York sofre perda de 5,09%.
Empresas
Ontem à noite, o portal Yahoo! revelou um lucro líquido de US$ 54,34 milhões no terceiro trimestre, número 64% abaixo dos ganhos registrados no mesmo período em 2007.
E hoje, o banco Wachovia anunciou um prejuízo de US$ 23,9 bilhões no terceiro trimestre. Segundo agências internacionais, trata-se da maior perda já registrada por uma instituição financeira desde o início da crise dos créditos "subprime".
A brasileira Suzano Papel e Celulose informou hoje prejuízo líquido de R$ 293,07 milhões no terceiro trimestre, ante um lucro de R$ 168,34 milhões em idêntico período em 2007. No terceiro trimestre do ano passado, as receitas financeiras haviam superado as despesas em R$ 84,06 milhões. Neste ano, no entanto, o chamado "resultado financeiro líquido" (receitas menos despesas) ficou negativo em R$ 653,51 milhões.
No front doméstico, o governo lançou mais uma medida para enfrentar os possíveis desdobramentos da crise global sobre a economia brasileira: a autorização para o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal adquirirem participações em instituições financeiras no país sem passar por um processo de licitação.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que muitas instituições financeiras estão com problemas de caixa no país. "Não tem banco quebrando no Brasil. Isso não isenta o sistema financeiro de problema de liquidez. Se não tivesse, o BC não estaria devolvendo o compulsório, não haveria compra de carteira", afirmou ele.
As Bolsas européias fecharam em baixa nesta quarta-feira, com perdas nas ações de bancos e empresas ligadas ao setor de commodities. A preocupação com a possibilidade de uma recessão global atingiu a confiança dos investidores, ofuscando o ânimo com o declínio visto nos juros cobrados entre os bancos. Com uma recessão, os lucros das empresas teriam quedas acentuadas.
A Bolsa de Londres fechou em baixa de 4,46%, ficando com 4.040,89 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve baixa de 4,46%, fechando com 4.571,07 pontos; a Bolsa de Milão teve baixa de 3,47%, fechando com 16.226 pontos; a Bolsa de Zurique fechou em baixa de 4,20%, com 5.925,46 pontos; a Bolsa de Paris caiu 5,10%, fechando com 3.298,18 pontos; e a Bolsa de Amsterdã perdeu 5,30%, fechando com 255,08 pontos.
As ações do Royal Bank of Scotland caíram 11% e a libra teve forte desvalorização em relação ao dólar depois que o governo britânico considerou que uma recessão é um cenário cada vez mais provável para o Reino Unido.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, reconheceu nesta quarta-feira que o Reino Unido não escapará da recessão. "Depois de ter adotado ações no sistema bancário, agora devemos adotar ações para enfrentar a recessão financeira mundial, que provavelmente provocará uma recessão no Reino Unido", afirmou.
Ontem foi o presidente do Banco da Inglaterra (BC britânico), Mervyn King, que reconheceu --pela primeira vez-- que isso é possível. "Agora parece provável que a economia do Reino Unido esteja entrando em uma recessão", afirmou.
O PIB (Produto Interno Bruto) do Reino Unido não registrou no segundo trimestre nenhum crescimento em comparação aos três primeiros meses do ano; nesta sexta-feira (24) serão divulgados os dados provisórios correspondentes ao terceiro trimestre. O Niesr (Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social, na sigla em inglês) previu nesta quarta-feira que a economia do Reino Unido terá terá um recuo de 0,9% em 2009 --o que seria o primeiro ano completo de recessão desde 1991--, com uma queda generalizada do consumo e do investimento.
Na Europa, a França e a Irlanda já entraram em recessão. Ontem, o FMI (Fundo Monetário Internacional) informou que que a Europa caminha para uma 'recessão leve' nos próximos meses por causa da crise financeira global, mas deve começar a se recuperar na segunda metade de 2009.
Hoje também o euro caiu ao menor valor desde novembro de 2006, US$ 1,2737. A queda ocorreu devido à expectativa nos mercados de que o BCE (Banco Central Europeu) deverá cortar ainda mais sua taxa básica de juros.
A taxa Libor ("London Interbank Offered Rate") para empréstimos de três meses em dólares teve nova queda, indo para 3,54%, contra 3,83% ontem. Foi o oitavo dia consecutivo de queda na taxa. A Libor é a referência para cobrança de juros por empréstimos que as maiores instituições bancárias fazem entre si. Por isso, ela é utilizada como base para que os bancos calculem os juros que cobram em outros empréstimos.
A queda nos juros entre bancos vinha animando os negócios, devido à perspectiva de que o ritmo do fluxo de dinheiro nos mercados de crédito pudesse voltar ao normal antes do esperado.
Caíram ainda as ações das mineradoras BHP Billiton (-9%) e Anglo American (-7,1%), com a queda nos preços do cobre. No setor petrolífero as ações da francesa Total caíram 5,5%.
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