Até as eleições gerais de 2008, Nova York tinha cabines de votação que pareciam parte de cenários de filmes de terror dos anos 50. Podiam ser confundidas com maquinário de laboratório do Dr. Frankenstein.
A partir daquele ano, o sistema mudou. O eleitor recebe um papel com lista de candidatos e deve preencher à tinta pequenos círculos indicando os nomes de sua preferência para cada cargo. Feito isso, o cidadão se dirige a uma máquina de escâner, que copiará a cédula, enviando o resultado a computadores de apuração. O voto físico é estocado dentro deste equipamento.
Moradores de Nova York votam nas eleições desta terça-feira; sistema é bem diferente do adotado no Brasil
O método parece bem menos tecnológico do que o modo brasileiro de votação eletrônica. Mas contém uma vantagem notada por aqueles que participaram, em Nova York, das eleições presidenciais do Brasil. O modo americano mantém o chamado “rastro de papel”. Ou seja: as cédulas são estocadas, para que se possa fazer recontagens em caso de dúvidas quanto ao resultado das urnas.
Nem sempre os nova-iorquinos lidaram diretamente com o voto digital. Até as eleições desta terça-feira (2), as máquinas eram do tamanho de refrigeradores, com lâmpadas (vermelha, amarela e verde) no topo. À frente da geringonça, havia um enorme envelope plástico, contendo um cartaz com colunas de nomes, cargos e partidos de concorrentes. Ao lado desta lista estavam pequenas chaves de metal correspondentes a cada candidato. Eram essas peças que ativariam os votos.
Para serem movimentadas, o eleitor deveria antes puxar, para o lado esquerdo, uma alavanca de metal do tamanho de um taco de beisebol, situada na base da máquina. Após fazer as escolhas, o cidadão sacramentava a decisão, deslocando a barra de ferro para a direita. Durante todo este processo, as luzes sobre a peça indicavam as diferentes etapas cumpridas. Uma cortina de pano dava privacidade ao indivíduo.
Nova York, reconhecida como um dos centros de alta tecnologia do mundo, chegou tarde à era da eleição digital. Estados como Ohio e Califórnia, por exemplo, já operam sistemas parecidos com os do Brasil.
Porém, muitas outras localidades ainda usam métodos antiquados, e complicados. No Oregon, por exemplo, vota-se pelo correio. A maioria das seções prefere cédulas de papel, que devem ser perfuradas e costumam trazer muitos problemas em recontagens.
Recontagem de votos pode ser pesadelo
Quem se lembra da eleição presidencial do ano 2000, sabe como as recontagens de votos podem ser transformadas em pesadelos. Na Flórida, o então candidato Al Gore parecia ter vencido. Mas, na contagem inicial, perdeu por cerca de 2.000 votos. Exigiu recontagem, e o processo mostrou que a diferença era menor. Chegou-se ao ponto colocá-lo à frente, em locais onde havia perdido feio.
Seu rival na época, George W. Bush, contestou o modo como a análise visual de cada cédula fora feita. O caso foi parar na Suprema Corte de Justiça, que determinou a interrupção dos trabalhos de apuração manual. Bush foi eleito, e seus oponentes democratas até hoje dizem que aquela eleição foi roubada.
Os métodos de votação americanos são variados e, às vezes, muito falhos. Mas contêm a vantagem de assegurar provas de como cada cidadão fez sua escolha. Ao contrário do sistema brasileiro nas eleições deste ano. A partir de 2014, as urnas eletrônicas brasileiras terão impressoras acopladas, que colocarão os votos em um recipiente lacrado, permitindo a recontagem.
Fontes: R7- Agências

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