Maior sindicato de Portugal proclama início da greve geral

A Confederação Geral de Trabalhadores de Portugal (CGTP, de orientação comunista), proclamou nesta quarta-feira o início de uma greve geral de 24 horas em um ato no aeroporto de Lisboa.

Foto: Público PT

Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, o maior sindicato de Portugal, liderou um piquete de trabalhadores que declararam no terminal internacional de Portela o começo do protesto contra as medidas anticrise do Governo.

"A greve geral é um grito", proclamou o veterano sindicalista ao insistir que se escute os trabalhadores e atendam suas propostas para acabar com a crise social e econômica que vive Portugal, atualmente sob a desconfiança dos mercados após o resgate financeiro da Irlanda.

Carvalho da Silva se queixou que os trabalhadores sofrem pressão para não aderirem à greve, convocada pela CGTP e por outro grande sindicato português, a União Geral de Trabalhadores (UGT, de orientação socialista), mas assegurou que ainda assim será um êxito pela alta adesão que já tem garantida.

Dos 11 bombeiros do turno da noite do aeroporto lisboeta, dez se declararam em greve, segundo a CGTP, que assegurou que nos terminais do país, onde as principais companhias aéreas anunciaram o cancelamento de centenas de voos, a greve é notada desde a madrugada desta quarta-feira, sendo generalizada nos portos.

Os sindicatos querem paralisar os transportes metropolitanos e os trens para incentivar a greve na capital e nas principais zonas urbanas de Portugal.

A Federação de Sindicatos Ferroviários advertiu, no entanto, que a falta de trabalhadores no centro operacional de Lisboa não garante a segurança na circulação dos trens.

A imprensa lisboeta assegurou que o serviço de coleta de lixo foi muito afetado em algumas cidades e, em Coimbra, não aconteceu. Apesar de organizações de jornalistas terem aderido à greve, os meios de comunicação funcionaram normalmente durante a madrugada.

Os dirigentes sindicais acreditam que a greve será generalizada no setor público, pelo grande descontentamento dos funcionários com os cortes de salários e vagas de trabalho impostas pelo Governo para reduzir os gastos públicos.

Na saúde, foram mantidos apenas os serviços mínimos necessários para atender à população, segundo as autoridades, mas estão suspensas cirurgias e consultas.

Diretores da Associação Nacional de Pequenas e Médias Empresas (ANPME) anunciaram que a instituição, que agrupa cerca de 13 mil companhias, apoia o protesto e pagará os salários dos trabalhadores que aderirem à paralisação.

A greve, a primeira em 22 anos convocada conjuntamente pelos dois maiores sindicatos de Portugal, acontece enquanto é realizada no Parlamento a segunda discussão do orçamento do Estado para 2011, no qual o primeiro-ministro do país, José Sócrates, reforçará as medidas de austeridade e o aumento de impostos.

Fontes: Terra - Efe

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