PT tenta arrumar um perito que justifique a mentira.

Reinaldo Azevedo

O PT decidiu, como eles dizem por lá, “comprar a briga”. O partido está, neste momento, se é que já não conseguiu — não há quase nada que o dinheiro não compre hoje em dia — arrumar a sua própria perícia para insistir, CONTRA OS FATOS, na versão da bolinha de papel. Trata-se de uma opção multiplamente vigarista porque:

a - o partido sabe que é mentira;
b - ignora a violência em si para se fixar no aspecto menos relevante;
c - despreza a opinião pública, na suposição de que a verdade é apenas a versão mais influente.

Não é só isso, não! A briga também é contra aquilo que o partido chama “mídia”. Para eles, a “mídia” é composta dos veículos que ainda não desistiram do jornalismo e que não estão sob o tacão partidário. Os seus subordinados na imprensa formariam o “verdadeiro jornalismo”. O desmonte da farsa da bolinha de papel foi feito, a rigor, pelo celular de um repórter da Folha. Dada a seqüência dos fatos, a intenção não era confrontar nada. Ocorre que ele registrou um fato — inquestionável.

Pois bem: o Jornal Nacional confrontou a versão do PT com a verdade dos fatos. Os petistas estão furiosos.

Acusam, nos bastidores e na rede suja da Internet, a Globo de ter atuado contra o partido, o que é de um mau-caratismo ímpar. O CURIOSO É QUE NÃO FOI O JN O PRIMEIRO VEÍCULO A DEMONSTRAR QUE A BOLINHA DE PAPEL ERA UMA COISA E A AGRESSÃO QUE TIROU SERRA DA CAMINHADA ERA OUTRA.

Quem primeiro fez a confrontação com toda clareza foi um portal que o PT jamais poderia chamar de “inimigo”: o iG. É verdade. A reportagem do portal está aqui. Nem o PT nem o iG ficarão ofendidos caso se apontem as relações de, digamos, afinidades eletivas entre ambos. A matéria do portal, justiça seja feita, foi publicada às 20h12, bem antes de o Jornal Nacional levar ao ar a sua reportagem.

Não importa! O PT precisa alimentar a fantasia de que a verdade é uma conspiração — tanto quanto pretende agora transformar em verdade uma teoria conspiratória. Com petistas, é assim: a verdade está sempre no avesso das coisas. São caricaturalmente orwellianos — no sentido na novilíngua do 1984.

Esforçam-se para incluir o Jornal Nacional — e, portanto, a Globo — num grupo que conspira contra os interesses do povo… Qual é o objetivo? Mobilizar a Al Qaeda eletrônica contra a emissora, que, intimidada, ou não voltaria ao assunto ou tentaria acomodar as coisas. Chegou-me aqui a mensagem curiosa de um petista: “POR QUE A GLOBO NÃO ARRUMOU UM PERITO QUE PENSASSE O CONTRÁRIO DO MOLINA?” Entenderam? A verdade não existe mais. Tudo é uma questão de “lado” e “outro lado”.

É uma gente realmente curiosa, além de perigosa. Quando são eles a decidir, não têm essa de “outro lado”, muito ao contrário. Ou a imprensa sindical petista se abre para os críticos, por exemplo? No caso da “mídia”, o “outro lado” é sempre garantido. Há coisas, no entanto, que não comportam versões antitéticas. Houve uma bola de papel; minutos depois, houve aquele outro objeto, este bem mais compacto, e os dois atingiram a cabeça de Serra, em tempos distintos. E isso desmonta a farsa em que o PT embarcou.

Não para eles! Danem-se os fatos. Cabe agora ao PT explicar como o iG, um parceiro de visão de mundo — mas primeiro a levar ao ar, nesse caso, o confronto da mentira com a verdade —, integraria essa conspiração.

Como se diz em Dois Córregos, essa gente não vale a cebola que come. Nunca entendi direito essa metáfora da “cebola”. Sei que isso quer dizer mais ou menos o seguinte: “Essa gente não presta!”

Fonte: Reinaldo Azevedo/Veja

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