Dilma rebate acusações contra aliado na Eletrobras

Para Dilma, acusação contra Valter Cardeal é ´´fofoca´´

A candidata do PT, Dilma Rolusseff, visita a exposição de Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa/Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, foi evasiva neste domingo ao ser questionada sobre reportagem publicada hoje na Folha de que o irmão do diretor da Eletrobras Valter Cardeal, um dos principais assessores da petista no setor elétrico, atua como negociador de projetos de energia eólica.

Após afirmar que "essa é uma questão que eles têm de responder", classificou a denúncia como "estranha, porque ela se desmente no final". Dilma deu as declarações depois de visitar o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, hoje de manhã.

Dilma tratou como "fofoca" produzida por uma "central de boatos" a denúncia, publicada pela revista "Época", que liga Cardeal a uma fraude num empréstimo internacional milionário.

O banco KfW, controlado pelo governo alemão, entrou com ação contra a CGTEE, subsidiária da Eletrobras cujo conselho de administração é presidido por Cardeal, alegando que órgão sabia serem falsas as garantias dadas a um empréstimo feito pelo KfW para construção de usinas de biomassa no Sul.

"Acho bom que na campanha eleitoral a gente cuide as fofocas [sic]. Quem está falando isso está beneficiando o banco. O banco é um banco alemão que, como fez e aceitou um empréstimo com um aval ilegal, está querendo hoje ganhar essa questão [em] que ele errou --conseguiu um aval de um diretor que foi demitido. Aí o banco está alegando que as pessoas sabiam. Primeiro porque você não pode ter um aval de um diretor só. Segundo porque aval de pessoas ou de empresas estatais para privados é ilegal. Então o que o banco está fazendo é chorando. E o que a central de boatos está fazendo, ao invés de defender o Brasil, está defendendo banco estrangeiro", disse a candidata.

PANFLETO E PAULO PRETO

Dilma definiu como "crime eleitoral" a distribuição dos panfletos assinados por uma diocese ligada à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) recomendando voto contra o PT nas eleições, por causa da posição favorável do partido sobre a descriminalização do aborto, mas disse não saber quem encomendou o material.


"Não é do meu feitio nem da minha campanha sair acusando sem ter investigação. Nós sabemos a quem beneficia, é ao meu adversário. Agora, se foi ele ou não que fez, resta ser provado."

Ela classificou de "insuficientes" as explicações dadas por Serra para ter nomeado, quando era governador, uma filha do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, acusado de desviar R$ 4 milhões supostamente destinados ao caixa 2 da campanha do PSDB. A nomeação foi revelada hoje pela Folha.

PIS E COFINS

A petista prometeu hoje acabar com a cobrança dos impostos PIS e Cofins sobre obras de saneamento, energia e transporte. Zerar o PIS (Programa de Integração Social) e o Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) do saneamento é uma das propostas marteladas pelo adversário de Dilma, o tucano José Serra, que usa o tema para atacar a atuação do governo na área.

Em 2007, o presidente Lula vetou um artigo da Lei de Saneamento que previa isenção para o setor, sob a alegação de risco ao equilíbrio fiscal. Há em tramitação no Congresso um projeto com esse objetivo.

No caso do transporte, Dilma informou que a isenção estaria condicionada a uma redução no preço das passagens de ônibus, "porque senão você está passando o recurso não para o consumidor, mas para a empresa".

Quanto ao setor energético, a candidata afirmou que não basta a redução do PIS e do Cofins, pois a maior incidência tributária é de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), e que precisaria ser feito um acordo com governadores sobre a redução.

DEBATE

A petista afirmou esperar que o debate Folha/Rede TV!, às 21h10 de hoje, seja "de alto nível, propositivo e assertivo".

Dilma voltou a negar que tenha sido agressiva no último confronto, na Band.

"Acho interessante. Sempre que uma mulher age e responde no mesmo nível que o homem ela é agressiva. Eu sou capaz de responder de forma bastante assertiva. Não vou em nenhum momento ser agressiva. Agora, serei assertiva." 

Comentário

Dilma brinca com a inteligência do eleitor.  Todos sabem que as denúncias não são frutos de ´´fofocas´´.  Além do mais, assume um papel de questionadora da moral dos outros, quando vários de seus próximos foram pegos em situações, no mínimo suspeitas.


Fonte: FOLHA/FABIO VICTOR

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