O ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que pediu ontem ao seu secretário de Geologia e Mineração, Cláudio Scliar, uma reunião com mineradoras e técnicos do governo para checar a situação das minas no país.
Segundo Scliar, a legislação brasileira para o setor de mineração dificultaria um drama como o do Chile, já que exige duas saídas de uma mina subterrânea. No Chile, até então, não era obrigatória a construção de uma saída alternativa.
De toda forma, um reforço na fiscalização será feito. "Esse incidente nos deixa mais alerta porque temos muitas minas subterrâneas", afirmou o secretário.
O Brasil tem ao todo 64 minas subterrâneas e mistas (uma parte subterrânea e outra a céu aberto), de carvão, ouro e zinco. Estão localizadas nos Estados de Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia.
Scliar lembrou que amanhã haverá na Câmara Municipal de Siderópolis, em Santa Catarina, uma homenagem aos mineiros resgatados. A cidade tem uma importante mina de carvão.
RESGATE
Em 5 de agosto, a estrutura da mina San José cedeu, e deixou os 33 mineiros presos a mais de 600 metros de profundidade. O incidente na pequena mina de cobre e ouro no norte do Chile colocou a cidade de Copiapó (800 km ao norte de Santiago) no mapa do mundo.
Foi só em 22 de agosto, quando a esperança de encontrar sobreviventes já era ínfima, que funcionários da equipe de resgate ouviram batidas na máquina perfuradora que tentava encontrar os mineiros. Com poucas palavras, eles mandaram um recado: "Os 33 de nós no abrigo estão bem", dizia um bilhete colado à máquina.
Foram 69 dias de reclusão a 622 metros de profundidade --17 dias sem que o mundo lá fora soubesse se estavam vivos ou mortos. Após quase 23 horas de esforços, o Chile entrou para a história ontem com uma operação de resgate sem precedentes.
Todos os mineiros foram recebidos na superfície com aplausos e gritos de guerra --"Chi-chi-chi-le-le-le"-- pelos milhares de familiares, jornalistas e curiosos que inundaram o acampamento Esperanza. A história de superação e sobrevivência chamou a atenção da mídia mundial. Cerca de 1.500 jornalistas estavam no local para registrar os últimos acontecimentos do resgate, que foi transmitido ao vivo em todo o mundo.
Fonte: FOLHA/SOFIA FERNANDES
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