HumaNets, uma rede clandestina de envio de mensagens por celular



A internet foi construída para ser descentralizada. Ninguém tem controle sobre ela, e se você desligar alguns provedores, grande parte da rede continua funcionando. O mesmo não acontece com os celulares. Qualquer que seja o país, meia dúzia de operadoras controlam a rede. Elas dizem o que pode passar por ali, quando e por que custo. Por um lado, isso garante que vírus ou spam não se espalhem e incomodem o usuário. Por outro, limita a inovação (porque não é sempre que as empresas concordam com a novidade que você quer transmitir pelo celular), pode sofrer censura e cria uma instabilidade: se a operadora de celular deixar de funcionar, o seu aparelho vira um tijolo high-tech.

O principal problema acontece em países como o Irã, que em 2009 derrubou as comunicações por telefone para esfriar as manifestações populares. Outro caso é o de catástrofes como a do Haiti, em que um terremoto praticamente acabou com as comunicações no país.

Por esse motivo, alguns pesquisadores estão tentando criar sistemas de telefonia móvel descentralizados, que não dependem de antenas ou estações. O mais recente deles se chama HumaNets, feito por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia. Ele funciona só com smartphones, e usa o GPS deles para estudar os movimentos que você costuma fazer no dia-a-dia. Ao escrever uma mensagem, você diz também a área ou o endereço do local onde deve estar o destinatário. Pode ser para alguém em específico ou para qualquer pessoa em uma região. O celular então analisa se você provavelmente vai transitar perto do destino. Se, no caminho, encontrar outro celular com maior probabilidade de chegar lá, ele passa a mensagem para frente. O sistema vai então trocando o recado de mão em mão até chegar ao destinatário. Em testes, 85% das mensagens foram recebidas com sucesso em menos de um dia.

É claro que o sistema tem um bilhão de problemas: da possibilidade de hackers descobrirem todos os lugares por onde você passa até a necessidade de milhares de pessoas terem esse software instalado no smartphone. Mas é interessante como uma prova de que os telefones não precisam ser controlados pelas operadoras. A vantagem é não só aumentar a liberdade de expressão como também salvar vidas em caso de catástrofes.

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Fonte: Rafael Kenski/Super Interessante Blogs

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