CERCO Policiais filipinos se preparam para invadir o ônibus com turistas de Hong Kong que foi sequestrado
A forte chuva, a fumaça das bombas de gás lacrimogênio, os vidros quebrados e a transmissão ao vivo nas emissoras de televisão do mundo todo fizeram o centro de Manila, a capital das Filipinas, parecer o cenário de um filme de ação nesta segunda-feira (23). O desfecho do sequestro de um ônibus turístico, no entanto, ficou longe da glória hollywoodiana. Pelo menos dois dos 25 reféns, além do sequestrador, foram mortos.
O sequestro começou por volta das 10 horas da manhã de segunda-feira (23 horas de domingo em Brasília). O ex-policial Rolando Mendoza, de 55 anos – fardado e carregando um fuzil M-16 – pediu carona ao motorista de um ônibus que levava turistas de Hong Kong para uma excursão pela capital filipina. Quando o veículo chegou ao parque Jose Rizal, o homem anunciou que todos os passageiros eram seus reféns.
No início do sequestro, a situação parecia calma. Demitido da polícia em meio a um escândalo ocorrido em 2008, Mendoza queria ser ouvido e exigiu que o processo que culminou com sua expulsão fosse reconsiderado.
Em um determinado momento, ele colocou um papel na porta do ônibus com os dizeres: “Um grande erro para corrigir uma grande decisão errada”. A polícia cercou o local, atiradores de elite foram posicionados e negociadores entraram em contato com Mendoza. O vice-prefeito de Manila, Isko Moreno, aceitou trabalhar pela reconsideração do julgamento do ex-policial e, em troca, Mendoza libertou alguns reféns. Em um primeiro momento, seis pessoas foram libertadas, incluindo três crianças. Depois, mais três pessoas foram soltas.
Após o prefeito garantir a revisão do processo, um negociador e o irmão de Rolando, Gregório Mendoza, também policial, foram até o ônibus entregar os documentos sobre o processo ao sequestrador. Foi neste momento que, segundo o vice-prefeito de Manila, a tensão tomou conta da situação. “O irmão gritou ‘não deixe ninguém sair, não deixe ninguém sair até devolverem a minha arma’”, disse Isko Moreno em entrevista por telefone à rede de televisão americana CNN. Segundo Moreno, Gregório foi “preso por conspiração”.
A situação piorou em seguida, quando o motorista do ônibus, um filipino, conseguiu fugir do veículo e afirmou que havia pessoas feridas. A polícia então, cercou o ônibus, e usou uma marreta para quebrar as janelas. Rajadas de metralhadora foram ouvidas e um policial pareceu ter sido ferido quando tentou invadir o ônibus por uma janela nos fundos. Momentos depois de uma nova troca de tiros, foi possível ver um corpo pendurado na porta da frente do ônibus, com os braços e o tronco para fora, e as pernas para dentro.
A polícia informou que era o corpo de Rolando Mendoza, morto com um tiro na cabeça. Pelas imagens das agências de notícias foi possível ver quatro reféns deixando o ônibus pela mesma janela usada pelo policial para invadir o ônibus. Um corpo também tirado do veículo. Uma produtora filipina da CNN confirmou com a polícia que, das 15 pessoas que seguiam como reféns, sete deixaram o ônibus com vida. Três corpos foram retirados, sendo um deles o do sequestrador, e até às 11 horas de Brasília ainda não havia notícia sobre as outras cinco pessoas.
De acordo com o jornal The Philippine Star, Mendoza foi e mais quatro policiais foram acusados em 2008 de tentar extorquir o chef de um restaurante de um hotel de Manila após acusá-lo falsamente de usar drogas.
Detalhes da ação policial
Operação da polícia de Manila cerca o ônibus com reféns (Foto: Reprodução/GloboNews)
A polícia das Filipinas matou o homem que manteve 15 turistas de Hong Kong reféns a bordo de um ônibus em Manila nesta segunda-feira (23) por mais de dez horas. As imagens da TV local mostraram alguns reféns deixando o veículo com vida, mas não há informações precisas sobre feridos e vítimas entre os sequestrados. Segundo a agência France Presse, um médico relatou que quatro dos turistas de Hong Kong morreram.
O atirador, identificado como um ex-capitão da polícia Rolando Mendoza, havia parado o ônibus, que inicialmente havia 25 pessoas a bordo, em uma estrada larga no maior parque de Manila. ele negociou por horas, libertou alguns dos reféns, mas acabou morto em uma troca de tiros com equipes da polícia.
"O seqüestrador foi morto", disse o Coronel Nelson Yabut. "Em nosso primeiro ataque, o capitão Mendoza estava no meio do corredor e disparou contra um dos nossos agentes. Em nosso segundo ataque, ele foi morto."
Refém sai de ônibus sequestrado em Manila (Foto: Reprodução/GloboNews)
Reféns foram libertados do após uma equipe especial da polícia de Manila ter entrado no veículo onde o ex-policial mantinha 15 pessoas presas.
Mendoza, de 55 anos, estava armado com um fuzil automático M-16 e outras armas de menor porte. Mendoza disse, em uma nota, que "algo grande" iria ocorrer após as 15 horas (4 horas em Brasília), mas o horário passou sem outros incidentes.
Ameaças de morte
Mendoza havia ameaçado matar os reféns em uma entrevista por telefone ao vivo, a uma estação de rádio local. "Eu posso ver que há muitas equipes SWAT chegando, eles estão por toda parte", disse Mendoza. "Eu sei que eles vão me matar, eu estou dizendo para eles saírem porque a qualquer momento vou fazer o mesmo aqui."
Na maior parte do dia, o atirador tinha aparecido para a negociação com a polícia calmamente e nove reféns, seis de Hong Kong e três filipinos, a maioria mulheres e crianças, foram liberados em etapas.
Mendoza havia pedido comida para os que permaneceram no ônibus, e a polícia aceitou o pedido. ele havia pedido ainda combustível para manter o ar condicionado curso durante o calor.
Um irmão de Mendoza, Gregorio, disse a uma emissora de TV local que seu irmão estava chateado com sua demissão da polícia. A mídia local disse que ele tinha sido demitido por extorsão e, devido à sua demissão, ele havia perdido os benefícios de sua aposentadoria.
"Seu problema foi que ele foi injustamente retirado de serviço. Não houve o devido processo, sem audiência, nenhuma queixa", disse Gregório, que mais tarde foi levado sob custódia pela polícia.
Fontes: G1 - Época - CNN- TV Globo News



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