Salman Rushdie/Imagem: Reprodução TV Globo
Livre e solto, sem guarda-costas, lançando um livro cheio de magia. É este Salman Rushdie que desembarcou num dia de sol no rio. Muito diferente da vida que ele levou no início dos anos 90, quando o livro 'Versos Satânicos' despertou a ira do aiatolá Khomeini, líder religioso, que ordenou a execução do escritor, acusado de blasfêmia
Em sua quarta viagem ao Brasil o escritor revelou que está trabalhando agora num livro de memórias . Ele disse que vai contar segredos sobre o período em que precisou de proteção da polícia inglesa e vivia se escondendo.
“Eu acho que é finalmente a hora de contar esta história. Eu queria esperar até conseguir ter uma objetividade apropriada e uma distância deste material para que eu pudesse me aproximar dele da forma certa”, comenta Rushdie.
A autobiografia só ficará pronta em 2012. O livro Luka e o fogo da vida, que ele lança esta semana no Brasil, mistura mitologia e videogame.
“Se você vai para este mundo de imaginação, onde Luka tem que ir para o mundo da mágica para encontrar o fogo da vida e resgatar o seu pai. E eu pensei que o mundo da mágica precisava ter estrutura , uma forma . Você tem que conquistar uma etapa de dificuldades e além desta fase, há uma com mais dificuldades e depois, mais ainda. Esta estrutura das fases dos videogames é também encontrada nas histórias clássicas. Então foi até fácil colocar as duas coisas juntas”, conta o escritor.
Salman Rushdie, que evitava este assunto, agora volta a falar sobre o período de perseguição.
“Quase todos os anos eu sabia do plano de um atentado sério. Mas é claro que não se tratava apenas de mim, aconteceram ataques a outras pessoas, o tradutor japonês foi infelizmente assassinado, o tradutor italiano foi seriamente atacado, o editor norueguês do livro foi baleado, e felizmente, sobreviveu. Aconteceram ataques muito sérios e ameaças. Então foi um problema maior, de natureza global. E o interessante é que grande parte desta história nunca foi contada. Muito do que aconteceu, as pessoas não sabem. É um mistério. É hora de revelar este mistério”, diz.
Rushdie não teme em trazer este assunto à tona, de ter reações de radicais. Para ele, não há um preço pela sua cabeça.
“Eu tenho vivido normalmente por um longo período, mais de uma década. O mundo não para, os assuntos mudam, vivemos num mundo em que os assuntos mudam rapidamente. Então, é um momento diferente do mundo. Agora eu sou apenas um escritor”, conclui.
Fontes: G1 - TV Globo
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