Parece Piada: Juiz militar do caso Cissa é preso por furto de cabos de telefonia no Rio

O juiz militar e capitão da PM Lauro Moura Catarino foi preso enquanto furtava cabos de telefonia da Oi, na Praia de Botafogo, no Rio, na madrugada da última sexta-feira (27). 

O capitão era responsável por julgar os PMs acusados de receber propina para liberar o atropelador do músico Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães. Poucas horas antes da prisão, ele havia participado na quinta-feira (26) da audiência da Auditoria Militar em que os PMs acusados foram ouvidos.

Além de Catarino, outra policial foi preso no mesmo episódio: o capitão do Batalhão de Choque Marcelo Queiroz dos Anjos.

O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, determinou que se inicie imediatamente um processo disciplinar com o objetivo de demitir os oficiais, que já foram afastados de suas atividades. A PM disse que não vai esperar a conclusão do inquérito da Polícia Civil para tomar providências.

"É inadmissível que policiais pagos com dinheiro público para proteger a população e bens privados e públicos se envolvam em atos como os descritos", disse.

Os oficiais foram autuados por furto e formação de quadrilha. Eles foram levados para o Batalhão Especial Prisional, em Benfica, na zona norte do Rio. O capitão Catarino foi afastado da Auditoria Militar e será substituído por outro oficial.

A investigação sobre as atividades da quadrilha durou dois meses. Segundo o delegado titular da 9ª DP, Alan Luxardo, a quadrilha lucrava até R$ 400 mil por mês.

Lara Velho, enteada de Cissa Guimarães, disse que o capitão Catarino não tem credibilidade para conduzir um interrogatório de policiais. "Não tenho medo de que haja um atraso no processo de investigação. O importante é chegar a uma conclusão justa e correta. É óbvio que tem muita maçã podre na polícia, o importante é que essas pessoas sejam afastadas", disse.

CASO

Rafael Mascarenhas, 18, filho caçula da atriz da Cissa Guimarães, morreu após ser atropelado em um túnel na Gávea, zona sul do Rio, no dia 20 de julho. Ele chegou a ser levado com vida para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Ele passou por uma cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ao final do procedimento médico.

Em depoimento à polícia, o empresário Roberto Bussamra --pai de Rafael Bussamra, que confessou ter atropelado Mascarenhas-- disse que os policiais que liberaram o Siena de seu filho pediram R$ 10 mil de propina e combinaram de receber o dinheiro no dia seguinte, na praça Mauá, centro do Rio. O empresário acompanhou o filho no momento do pagamento, já pela manhã de quarta-feira (21), mas recebeu uma ligação da mulher informando que a vítima era filho da atriz Cissa Guimarães e estava morto. Segundo o depoimento, ele passou mal com a notícia e os policiais deixaram o local com R$ 1.000.

O sargento da PM Marcelo José Leal Martins e o cabo Marcelo Bigon, do 23º Batalhão da PM do Rio, estão em prisão administrativa acusados de cobrarem propina de Bussamra para liberar o carro.

A promotora Isabella Pena Lucas --titular da 1ª Promotoria de Justiça da Auditoria Militar do Estado do Rio-- denunciou à Justiça Militar, o sargento Marcelo Leal de Souza Martins e o cabo Marcelo Bigon por três crimes: corrupção passiva, falsidade ideológica e descumprimento de missão.

Na denúncia também consta que os PMs apresentaram o boletim de ocorrência com informação falsa, descrevendo a liberação do veículo de Rafael Bussamra sem a constatação de irregularidades.

Assessoria confirma o caso

A assessoria de imprensa da Polícia Militar confirmou, na manhã deste sábado (28), que um dos oficiais da PM presos durante a madrugada de sexta-feira (27), suspeitos de participação em uma quadrilha que furtava cabos de fibra ótica na Zona Sul do Rio, é um capitão que julgava os PMs acusados de receber propina do caso Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, que morreu atropelado no dia 20 de julho.

A informação foi publicada no jornal "O Globo" deste sábado. Segundo a PM, o capitão foi afastado e está preso na Unidade Prisional da PM, em Benfica, no subúrbio do Rio.

Na quinta-feira (26), ele participou da audiência na Auditoria Militar, quando os PMs Marcelo José Leal Martins e Marcelo Bigon foram ouvidos no processo onde são acusados de terem aceitado propina de Rafael Bussamra, o pai do atropelado de Rafael.

O comandante da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte, determinou, na manhã de sexta-feira, que se inicie imediatamente um processo disciplinar para a demissão de dois oficiais. Os capitães, um do 2º BPM (Botafogo) e outro do Batalhão de Choque (BPChoque), estavam na Praia de Botafogo acompanhados de nove prestadores de serviço de uma empresa de telefonia.

A prisão em flagrante foi realizada no começo da madrugada de sexta-feira.

Foram dois meses de investigação que mostraram que os dois oficiais davam cobertura à quadrilha. O lucro com o roubo de cabos chegava a R$ 300 mil.

O grupo estaria se preparando, segundo a polícia, para furtar cabos de fibra ótica. Para não levantar suspeitas, os técnicos usavam equipamentos e uniformes como se estivessem trabalhando. No local, quatro carros e um caminhão foram apreendidos.

PM não vai aguardar investigação da Polícia Civil

Segundo o delegado Alan Luxardo da 9ª DP (Catete), os furtos eram feitos sempre à noite, com o apoio dos dois policiais militares.

De acordo com a PM, o comandante da corporação não vai esperar o resultado das investigações por parte da Polícia Civil. “As evidências que se tem até agora apresentam robustez suficiente para a convicção de que os oficiais estão diretamente envolvidos neste crime”, diz a nota enviada pela PM.

Mário Sérgio ordenou que o caso seja tratado com “máxima prioridade”, “porque é inadmissível que policias pagos com dinheiro público para proteger a população e os bens privados e públicos sejam covardemente seus dilapidadores”.

Segundo a polícia, os furtos aconteciam apenas na Zona Sul da cidade. A quadrilha agia há quase um ano.


Fonte: FOLHA - G1- TV Globo

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