Irã diz que Sakineh “praticou crime de homicídio contra seu marido, pelo qual foi processada e presa"; ONGs de direitos humanos negam versão/Reprodução/CNN
O ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, chamou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, de ditador, nesta segunda-feira (16), em São Bernardo do Campo (SP).
Contradizendo o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores), Vannuchi afirmou que o governo continua negociando a vinda ao Brasil da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento.
- O governo Lula está pressionando diplomaticamente o governo iraniano para que permita que ela venha para o Brasil. E se esse ditador [Ahmadinejad] tiver um mínimo de bom-senso, deveria permitir que ela venha morar no Brasil e seja salva.
Sakineh, de 43 anos, foi condenada sob acusação de manter relações sexuais com dois homens após ter se tornado viúva. A pena aplicada foi a de morte por lapidação, ou seja, apedrejamento. De acordo com as autoridades iranianas, Sakineh também foi condenada pelo assassinato do marido, fato negado por seu advogado.
O caso gerou repercussão internacional e o governo brasileiro propôs oficialmente que a mulher fosse enviada para o Brasil. Neste domingo (15), o presidente iraniano disse não ver necessidade de tal medida e que autoridades do Poder Judiciário do país também são contrárias a acatar o pedido brasileiro.
Irã diz que não mandará Sakineh ao Brasil
Nesta segunda-feira a Embaixada do Irã em Brasília soltou um comunicado reafirmando que não mandará Sakineh ao Brasil, apesar do apelo do presidente Luís Inácio Lula da Silva, que ofereceu asilo à condenada.
O documento chega a questionar se a sociedade brasileira quer que o Brasil se transforme num “lugar de criminosos de outros países em seu território”.
Religião não pode permitir violação de direitos humanos
Vannuchi disse que o Brasil é o único país que pode negociar com Ahmadinejad após o acordo nuclear assinado por Lula e pelo governo da Turquia e do Irã.
Para o ministro, o respeito internacional aos direitos humanos deve ocorrer mesmo quando existam diferenças culturais e religiosas. Sakineh foi condenada no Irã por um tribunal religioso, já que o Irã segue a sharia, a lei islâmica.
- O problema dos direitos humanos e os preceitos culturais é uma relação delicada que precisa ser conversada com muita calma. A ideia de que o preceito cultural tem que ser mantido nos levaria a tolerar o infanticídio [morte de crianças], por exemplo, e não podemos aceitar isso, como não podemos aceitar a amputação de clitóris promovida por países muçulmanos.
Ministro nega possibilidade de negociação com Irã no caso de mulher condenada
Ministro Celso Amorim, após reunião ministerial do governo Lula nesta semana; chanceler dá por encerrada atuação brasileira em caso de iraniana/Agência Brasi
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta sexta-feira (13) que a intervenção brasileira no episódio da iraniana condenada à morte não é um caso de negociação, mas sim de apelo internacional.
- O caso choca a sensibilidade brasileira, mas é complexo por se tratar de uma cidadã iraniana, e não de uma estrangeira. O que poderíamos fazer, fizemos.
Amorim deu a declaração nesta manhã, após uma palestra no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP). O ministro confirmou a formalização do anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pede a libertação de Sakineh Mohammadi Ashtianie oferece abrigo político a ela. Teerã, no entanto, negou a solicitação do Brasil.
Amorim evita falar sobre menor brasileira
Já sobre o caso da brasileira de 14 anos, condenada a seis meses de prisão em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, por ter feito sexo com um motorista de ônibus paquistanês, Amorim foi cauteloso.
- Esse assunto deve ser levado com muito cuidado. Estamos em contato estreito com a família da brasileira, seus advogados e as autoridades dos Emirados para conduzir o processo da melhor maneira possível.
Citando o caso da libertação, em maio deste ano, da professora francesa acusada de espionagem pelo Irã, o ministro justificou o sigilo das autoridades por questões de segurança e para facilitar o processo de negociação.
Neste caso, o Brasil, ao lado de Síria e Senegal, fez esforços conjuntos para soltar a francesa. Ao final do processo, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que a libertação da professora era um presente para o Brasil.
Comentário
Amorim está desistindo muito fácil da causa pela vida da iraniana. Vergonha nossa política externa.
Fontes: R7 - Agência Brasil


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