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Governo argentino acusa jornais de crimes de lesa-Humanidade
BUENOS AIRES - Em uma nova investida contra os meios de comunicação, a presidente Cristina Kirchner apresentou nesta terça-feira um relatório em que acusa os donos dos principais jornais do país de crimes de lesa-Humanidade. Para o governo, eles se apropriaram ilegalmente da maior fornecedora de papel para diários da Argentina, a partir de ameaças, durante a última ditadura militar (1976-1983).

A acusação aparece no relatório "Papel Prensa, a verdade", de mais de 20 mil páginas, apresentado por Cristina na Casa Rosada e transmitido em rede nacional.

O texto afirma que os jornais "La Nación", "Clarín" e "La Razón" - que se declarou em quebra em 2000 - foram cúmplices dos militares para assumir, em novembro de 1976 e de forma ilegal, a empresa Papel Prensa.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, o "Clarín" e o "La Nación" se defenderam do que garantem ser "falsas acusações". Para os diários, elas fazem parte de um plano do governo para expropriar a empresa - na qual investiram US$ 140 milhões - e, assim, poder "controlar e manipular" os meios de comunicação.

A Papel Prensa

Criada em 1972, a Papel Prensa fabrica e fornece papel para 170 jornais argentinos, abastecendo 75% do mercado. Seus principais acionistas são "Clarín" (49%), "La Nación" (22,5%) e o Estado argentino (27,5%). Agora, o governo questiona a legitimidade da aquisição da empresa - ocorrida há 34 anos -, alegando que os antigos donos foram praticamente obrigados a vendê-la por estarem sendo perseguidos pela ditadura.

A Papel Prensa pertencia a David Graiver, empresário e banqueiro que tinha ligações e negócios tanto com os militares quanto com o grupo guerrilheiro Montoneros. Em agosto de 1976, poucos meses após o golpe militar, ele morreu num acidente aéreo no México. Seu império, que incluía bancos na Bélgica e nos Estados Unidos, começou a desmoronar, e os credores começaram a bater na porta da viúva, Lídia Papaleo, que vendeu ativos para saldar dívidas.

A empresa foi vendida em novembro de 1976 aos jornais "Clarín", "La Nación" e "La Razón". Cinco meses depois, em março de 1977, Lídia Papaleo e outros parentes de seu marido foram presos e torturados pelos militares, que investigavam as ligações de David Gravier com os Montoneros.

Fonte: Luiz Nassif Online/Edson Joanni

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