Fusão entre Itaú e Unibanco é aprovada pelo Cade

Operação foi aprovada sem qualquer restrição, segundo o conselho. Negócio entre os dois bancos havia sido anunciado em 2008.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou durante reunião nesta quarta-feira (18) a fusão entre os bancos Itaú e Unibanco. O negócio havia sido anunciado pelas duas instituições financeiras em novembro de 2008. De acordo com informações do conselho, o plenário do órgão antitruste aprovou a operação sem impor nenhum tipo de restrição.

Há oito meses, o processo foi para o órgão antitruste depois de passar pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, que recomendaram a aprovação do negócio sem restrições. O caso também teve o aval do Banco Central.

"Voto pela aprovação, sem restrições, com base nos pareceres do BC e da Seae e SDE", disse o relator do caso, conselheiro Fernando Furlan.

Diferentemente do que fez o relator do caso da compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, César Mattos, na sessão passada do Cade, Furlan optou por agrupar os produtos dos bancos em questão em conjuntos diferenciados para determinar os vários mercados relevantes.

"Não há consenso no Brasil de mercado relevante de produtos do mercado financeiro, mas o uso de clusters é inadequado no momento", avaliou Furlan. Entre eles estão: crédito para pessoa física, cartão de crédito, financiamentos, crédito consignado, depósito à vista e poupança, no caso de produtos financeiros, e previdência, corretagem de seguro e capitalização, entre outros, como exemplos de produtos não financeiros.

Concentração

Pela avaliação do relator, com a união das instituições financeiras, há concentração superior a 20% em alguns dos mercados relevantes analisados: cartão de crédito, financiamento para aquisição de veículos e habitação, empréstimo em moeda estrangeira, seguros e previdência privada.

"Entretanto, com o aprofundamento da análise, verifico que é pouco provável o exercício de poder de mercado", salientou Furlan. Além disso, segundo o relator, estão presentes no mercado outros agentes importantes, como os bancos públicos que têm como um de seus objetivos incentivar a concorrência no setor.

Fusões e aquisições chegam a R$ 84,8 bi no semestre, diz Anbima

As 59 operações de fusões e aquisições anunciadas no primeiro semestre deste ano somaram R$ 84,8 bilhões, o maior valor para o período desde 2006.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (17) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O montante é 43,2% superior aos primeiros seis meses do ano passado e já representa 71,3% de todo o volume observado em 2009.

As operações de aquisição de empresas estrangeiras por brasileiras, 18 no primeiro semestre, foram destaque no período, representando 46,6% do volume total (R$ 39,5 bilhões). Em seguida estão as operações entre empresas brasileiras. De acordo com a Anbima, o resultado denota o aumento da presença das companhias nacionais como compradoras globais.

As aquisições entre brasileiras corresponderam a 79,9% do volume durante o primeiro semestre de 2009.

A joint venture entre a Shell e a Cosan lidera o ranking divulgado pela Anbima, com volume de R$ 11,6 bilhões. Na segunda posição está a venda dos ativos de alumínio da Vale para a Norsk Hydro, no valor total de R$ 8,5 bilhões. Em seguida, aparecem a aquisição da Bunge pela Vale (R$ 7 bilhões) e a compra dos ativos brasileiros da Devon Energy Corporation pela BP (R$ 5 bilhões).

A Anbima destaca que as operações acima de R$ 1 bilhão apresentaram crescimento de 37,3%, recorde da série histórica do Ranking Anbima de Fusões e Aquisições criado em 2006, e bem superior à fatia de 25% correspondente ao primeiro semestre de 2009.


Fontes: G1- Agência Estado -Valor Online

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails