WASHINGTON- O Departamento de Estado americano afirmou nesta quarta-feira, 25, que acompanha de perto o "forte debate" sobre a liberdade de imprensa na Argentina, depois da presidente Cristina Kirchner ter acusado os dois principais meios argentinos de apropriação ilegal do maior fabricante de papel de imprensa do país.
"A liberdade de imprensa em muitas partes do mundo nos preocupa e certamente agora mesmo há um forte debate interno na Argentina. Estamos acompanhando de perto os acontecimentos" no país sul-americano, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner.
Em sua coletiva de imprensa diária, Toner acrescentou que a liberdade de imprensa faz parte de nossas conversações bilaterais" com a Argentina. "Obviamente levamos as preocupações a respeito da liberdade jornalística muito a sério".
Ontem, o governo argentino acusou as principais empresas de comunicação do país, os diários Clarín e La Nación, de se apropriarem ilegalmente da maior fabricante de papel jornal argentina, a Papel Prensa, durante a ditadura.
Segundo relatório da Casa Rosada, os jornais são cúmplices da ditadura militar de 1976-1983.
Tanto o Clarín quanto o La Nación denunciaram o que chamaram de "história inventada" pelo governo argentino para despojá-los da Papel Prensa, da qual o Estado é sócio minoritário.
"Controle dos meios"
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) criticou hoje a intenção de Cristina Kirchner de enviar um projeto de lei ao Congresso para declarar de "interesse público" a produção, distribuição e comercialização de papel para jornais.
Para a SIP, a possível apresentação do projeto é uma "medida inconstitucional" que pretende alcançar o "controle dos meios".
O presidente da organização, Alejandro Aguirre, se disse surpreso porque o governo argentino chegou a "essas instâncias fazendo expressa sua intenção de controlar os meios de comunicação" com a supervisão da fabricação e distribuição de papel.
Um insumo básico, acrescentou Aguirre, da indústria jornalística que, na Argentina, "não é escasso, nem apresenta um problema de abastecimento, e que não tem porquê ter regulações especiais".
Segundo Aguirre, que é subdiretor do Diário Las Américas, "é absurdo que o governo vá contra a própria Constituição" do país, em cujo artigo 32 se estabelece expressamente que 'o Congresso federal não ditará leis que restrinjam a liberdade de imprensa ou estabeleçam sobra ela a jurisdição federal".
Fonte: O ESTADO DE S PAULO - Efe


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