A China está a ponto de destronar o Japão como segunda economia mundial. O fato demonstra ascensão contínua ao longo dos últimos anos e também a necessidade de reorientar o crescimento chinês para depender menos das exportações.
Além de país mais populoso do planeta, a China tem os títulos de maior exportador, principal mercado automobilístico e primeiro produtor siderúrgico mundial.
Em 2009, o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas da nação) chinês encostou no do Japão - dez vezes menos povoado e, portanto, dez vezes mais rico por habitante-, com R$ 8,8096 trilhões (US$ 4,980 trilhões) contra R$ 8,8574 (US$ 5,007 trilhões).
O Japão deve divulgar na segunda-feira (16) o total do PIB para o primeiro semestre de 2010. No entanto, o vice-presidente do banco central chinês, Yu Gang declarou recentemente que a China já está convencida de que sua cifra será superior à japonesa.
- A China já é a segunda economia mundial.
De qualquer maneira, alguns analistas acreditam que a China pode se enganar. A recente valorização do iene (moeda japonesa) em relação ao dólar pode permitir ao Japão conservar seu segundo lugar, atrás dos Estados Unidos.
Takahide Kiuchi, da Nomura Securities, acredita em um PIB japonês de R$ 4,6825 trilhões (US$ 2,65 trilhões) para o período de janeiro a junho, contra R$ 4,4756 trilhões (US$ 2,53 trilhões) para o PIB chinês publicado em julho.
No entanto, a chegada da China à segunda posição parece inevitável, apesar de pairar dúvidas sobre a qualidade de seu crescimento, enfatiza Arthur Kroeber, diretor de gabinete da consultoria Dragonomics, com sede em Pequim . Segundo Kroeber, os dirigentes políticos chineses devem romper com a mentalidade que privilegia o crescimento a qualquer preço, um pensamento que "ainda está muito presente em sua burocracia".
- Insistir numa taxa de crescimento elevada pode introduzir mais distorções na economia. Na realidade, devemos nos concentrar nos meios de melhorar a qualidade do crescimento.
De acordo com Patrick Chovanec, professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade de Tsinghua em Pequim, o "país se encontra em uma encruzilhada".
- A China se acha diante a mesma problemática que o Japão nos anos 1980: adaptar-se ou persistir no caminho de uma economia empurrada pelas exportações.
Desde o lançamento da política de reforma e abertura no final dos anos 70 por parte de Deng Xiaoping (líder político entre 1978 e 1992 e criador do socialismo de mercado, regime vigente no país atualmente), a China superou a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha em termos de PIB.
Mas esse crescimento excepcional também teve como efeito colateral o aumento das desigualdades entre uma classe média urbana, que tem agora moradia e automóveis, e centenas de milhões de pobres, alguns dos quais vivem com menos de R$ 0,88 (US$ 0,50) por dia.
Fonte: R7- AFP
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