O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta quinta-feira em Quito (Equador) que o Estado colombiano é responsável pela guerra interna que enfrenta há seis décadas e acusou-o de ser uma ameaça a seus vizinhos.
"O Estado colombiano só gera guerra interna, ameaças a seus vizinhos e abandona seu território", declarou Maduro ao entrar na sede da chancelaria equatoriana para uma reunião ministerial da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que analisa a crise diplomática entre Caracas e Bogotá.
A crise entre os dois países se intensificou depois que a Colômbia levou à OEA (Organização dos Estados Americanos) denúncias a Venezuela abriga guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional). As acusações levaram o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a romper relações diplomáticas com Bogotá.
Maduro disse que "verificamos que o governo da Colômbia agride permanentemente a seus vizinhos". Também assegurou que a Colômbia pratica "uma doutrina de guerra e violadora do direito internacional".
"Nós exercemos plena soberania sobre os 2.219 km de fronteira com a Colômbia", disse Maduro. "Viemos propor um conjunto de ideias para retomar o caminho da paz, dado que a última guerra que resta em nosso continente é na Colômbia."
REUNIÃO
O Brasil não tem expectativa nenhuma do encontro desta quinta-feira em Quito, no Equador. Brasília que vê a reunião de chanceleres como mera estratégia para ganhar tempo até a posse de Santos, informa a colunista da Folha de S. Paulo, Eliane Cantanhêde.
Desde a crise gerada há uma semana pelo rompimento das relações bilaterais pela Venezuela, o Brasil aposta em adiar a mediação até a posse de Santos, que apesar de ser o candidato de Uribe, promete reconciliação com Caracas.
O Brasil será representado na reunião de hoje em Quito pelo secretário-geral do Itamaraty, embaixador Antônio Patriota, que se preparava ontem para ouvir mais e interferir menos, a não ser para, eventualmente, apagar incêndios.
A reunião estava prevista para começar às 15h local (17h em Brasília).
Em Bogotá, o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, disse hoje que não tem grandes expectativas com relação à reunião de Quito, onde insistirá na necessidade de criar um 'mecanismo eficaz' para que a Venezuela colabore na luta contra as guerrilhas.
Uribe rejeita comentários de Lula sobre crise entre Colômbia e Venezuela
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse nesta quinta-feira que "deplora" a referência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à crise de seu país com a Venezuela como "um caso de assuntos pessoais". Na véspera, Lula afirmou que há apenas um conflito verbal entre os dois países e não uma disputa mais grave.
"Uribe deplora a forma com a qual Lula, com quem cultivamos as melhores relações, tenha se referido a nossa situação com a República Bolivariana da Venezuela como se fosse um caso de assuntos pessoais", diz um comunicado da Presidência, que critica o brasileiro por ter ignorado a ameaça que representa a presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano.
O comunicado diz ainda que Lula desconhece o esforço colombiano para buscar soluções através do diálogo. "Repetimos com todo o respeito ao presidente Lula e ao governo do Brasil que a única solução que a Colômbia aceita é que não se permita a presença dos terroristas em território venezuelano".
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu relações diplomáticas com Bogotá na quinta-feira passada (22), depois que o país vizinho levou à OEA (Organização dos Estados Americanos) denúncias de que Chávez abriga guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) em território venezuelano.
Depois de discursos agressivos de Chávez contra Uribe, a quem chamou de mafioso, a Venezuela aposta no apoio dos colegas de Unasul (União das Nações Sul-Americanas) para resolver a disputa.
O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, deu início a um giro pela América Latina em busca de apoio regional e apresentará, em reunião de chanceleres da união nesta quinta-feira, um plano de paz à Colômbia.
O texto se refere às declarações desta quarta-feira do presidente Lula, que afirmou que pretende se reunir com Chávez e o novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que toma posse dia 7, em prol de uma conciliação.
"Pretendo conversar muito com o Chávez, muito com o Santos, porque acho que o tempo é de paz e não de guerra", afirmou Lula, em entrevista após reunião de trabalho e de almoço com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.
"Ainda não vi conflito. Eu vi conflito verbal, que é o que ouvimos mais aqui na América Latina. O que temos de ter primeiro é paciência. (...) Acho que temos interesse da Unasul construir a paz. Acho que temos de restabelecer a normalidade nas relações entre Venezuela e Colômbia porque são dois países importantes", afirmou.
Lula não vai responder às críticas feitas por presidente da Colômbia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai responder às criticas feitas nesta quarta-feira pelo seu colega colombiano, Álvaro Uribe, que, em nota, o acusou de minimizar a crise envolvendo Colômbia e Venezuela ao dizer que via entre os dois países um "conflito verbal."
"Lula tomou conhecimento das declarações e não considera apropriado que se responda esse comunicado", disse nesta quarta-feira o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach.
"O presidente já declarou que lamenta a situação que se criou entre a Colômbia e a Venezuela e acredita que a estabilidade das relações entre estes dois países amigos e tão importantes na nossa região, é fundamental para a tranquilidade na região e para o avanço da integração regional", completou ele.
Na nota, Uribe diz que "deplora a forma com a qual Lula, com quem cultivamos as melhores relações, tenha se referido a nossa situação com a República Bolivariana da Venezuela como se fosse um caso de assuntos pessoais."
O comunicado critica Lula ainda por ter ignorado a ameaça que representa a presença de guerrilheiros colombianos em território venezuelano.
A crise entre os dois países se intensificou depois que a Colômbia levou à OEA (Organização dos Estados Americanos) denúncias a Venezuela abriga guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional). As acusações levaram o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a romper relações diplomáticas com Bogotá.
Comentário
O fato é que Uribe tem razão. Lula não está preocupado com a segurança da Colômbia. Ele apenas se preocupa em defender o regime ditarorial e terrorista de Chávez.
Como querer o papel de mediador, se toma, descaradamente, o partido de um país, por razões ideológicas?
Fontes: FOLHA - Agências
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