Premiê australiana convoca eleições legislativas para 21 de agosto

Trabalhistas e conservadores disputam governo com agendas antagônicas. Julia Gillard assumiu posto há três semanas, ao substituir Kevin Rudd.

A primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, convocou neste sábado (17) eleições legislativas antecipadas para o dia 21 de agosto. A disputa entre conservadores e trabalhistas é focada principalmente em temas que abordam políticas de planejamento econômico, clima e segurança nas fronteiras.

Primeira mulher a ocupar o cargo, Gillard tomou posse há três semanas, indicada pelo Partido do Trabalho, enquanto o governo enfrentava uma crise que indicava eventual derrota eleitoral. Desde então, ela recuperou apoio, colocando a legenda um pouco à frente nas pesquisas de opinião pública. Mas o líder da oposição conservadora, Tony Abbott, precisa conquistar apenas nove assentos a mais para formar um governo com quatro políticos independentes, ou 13 assentos para assumir o cargo definitivamente.

Premiê da Austrália Julia Gillard, candidata pelo Partido do Trabalho. (Foto: Mark Graham/AP)


"Hoje busco um mandato junto ao povo australiano para levar a Austrália adiante", afirmou Gillard em coletiva de imprensa. "Levar adiante significa mover adiante com superávit orçamentário e uma economia mais forte", acrescentou Gillard, que derrubou o ex-premiê Kevin Rudd na liderança do próprio partido em 24 de junho.

Os mercados financeiros não devem ter muitos reflexos devido à eleição, pois há poucas escolhas no que diz respeito às políticas econômicas. "A principal preocupação para os mercados financeiros é um resultado inconclusivo para a eleição, como um Parlamento dividido", disse Craig James, economista chefe da CommSec.

Sites de apostas colocaram o Partido Trabalhista como favorito, embora alguns analistas acham que será um resultado apertado.

Gillard afirmou que sua plataforma de reeleição tem foco na criação de empregos, no incentivo à educação, na melhora do sistema de saúde, no combate às mudanças climáticas e no fortalecimento da segurança nas fronteiras.

A economia deve ser um participante ativo da eleição. Embora o Partido Trabalhista tenha guiado a economia durante a crise financeira global e evitado a recessão no ano passado, pesquisas de opinião mostram que os eleitores veem a oposição como melhor nas questões econômicas.

Tanto governo quanto oposição prometeram retomar o superávit orçamentário. Ainda assim, os eleitores têm duras escolhas:

Gillard planeja uma taxa de mineração de 30%, aumentando a arrecadação para US$ 9,12 bilhões a partir de 2012. Abbott quer diminuí-la.

Os trabalhistas acreditam ser inevitável cobrar um preço para as emissões de carbono com o objetivo de combater as mudanças climáticas, com um esquema de comércio de emissões possivelmente entrando em vigor em 2012 ou 2013. Os conservadores discordam.

Outra proposta da situação é a criação de um centro de processamentos de asilos no Timor Leste para impedir que as pessoas cheguem à Austrália de barco, embora tenha dito em uma entrevista na Sky TV que não havia "uma solução rápida". Abbott quer reabrir campos de detenção nas ilhas do Pacífico.

O conservador Tony Abbot, líder da oposição ao governo australiano. (Foto: Patrick Hamilton)

Abbott também vê o emprego como um foco na eleição, dizendo que abandonaria a política de duras leis trabalhistas.

Os trabalhistas perderam o apoio do eleitores "verdes" no ano passado devido ao fracasso em introduzir um esquema de compensação da produção de carbono para combater as mudanças climáticas, e precisa convencê-los novamente para se manter no governo.

A Austrália é um dos maiores emissores de carbono per capita do mundo.

O governo e a oposição prometeram cortar as emissões em 5% até 2020, mas o setor comercial alertou que a falta de uma política clara para o clima está segurando o poder de investimento.

Os eleitores terão de escolher entre duas personalidades contrastantes. Abbott é combativo e católico conservador, que já treinou para o sacerdócio e é contra o casamento de pessoas do mesmo sexo e o aborto. Já Gillard não acredita em Deus, não é casada, mas tem um parceiro de longa data, além de não ter filhos.


Fontes: G1- Agências

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